EDIÇÃO DIGITAL

Domingo

19 de Maio de 2019

Eduardo Silva

É Diretor de Jornalismo da TV Tribuna. Além de dirigir a afiliada da Rede Globo na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, é comentarista esportivo da TRI FM.

A despedida de Joseval Peixoto

Meus amigos, este espaço se destina a craques do futebol, dos outros esportes, que podem ser jogadores, técnicos e dirigentes, mas vou incluir a partir de hoje, os craques do microfone também. Esta semana, um dos nomes mais importantes do rádio se despediu da “latinha”.

Joseval Peixoto Guimarães foi homenageado pela Jovem Pan depois de 52 anos de trabalho nessa emissora tão tradicional de São Paulo. Joseval era o consagrado âncora do famoso “Jornal da Manhã” da Pan, mas antes disso, fez história como um brilhante narrador esportivo, que atuou com destaque em várias emissoras.

Só para se ter uma ideia da carreira maravilhosa de Joseval como locutor de futebol, ele fez dupla com os gênios Fiore Giglioti, na Bandeirantes, com Haroldo Fernandes na Tupi e com o Osmar Santos, na Pan. Quando Osmar surgiu de forma avassaladora com sua linguagem jovem e contagiante, Joseval já brilhava na emissora do “seo” Tuta (Antonio Augusto Amaral de Carvalho), dono da rádio e outro gênio da comunicação. Então, o dono da emissora, para não perder os dois talentos, lançou uma dobradinha: “Quanto não é um é o outro”.

Se Osmar narrava no sábado, Joseval transmitia no domingo. E vice-versa. Aos poucos Joseval Peixoto foi deixando o futebol e se destacando no jornalismo e nos editoriais da rádio. Sempre com uma opinião firme, forte, marcante. Eclético, comandou cobertura de eleições, posses de presidentes, transmitiu Carnaval e até o sermão da Paixão que a Jovem Pan o apresentava todos os anos.

Sempre fui fã dele, e tive a felicidade de conhecê-lo em 2005, numa entrevista para a série “Paixão pelo Rádio”, da TV Tribuna. Ele me contou toda sua história, com aquele vozeirão, simpatia e emoção. Chegou a me dizer que apenas uma época ao longo de todos esses anos se afastou do rádio para atuar como advogado. Ficou doente e, ao procurar ajuda profissional, o médico não escreveu nada no receituário apenas fez um desenho: de um microfone. E disse ao Joseval: “volte para a rádio e esses problemas de saúde vão desaparecer”.

As palavras proféticas do médico se tornaram realidade e durante todos esses anos. Joseval falou com um estilo inconfundível que marcou a vida de milhões de brasileiros apaixonados pelo rádio. Na linguagem popular, se tornou comum usar a frase de que ninguém é insubstituível.

Quanto mais o tempo passa e vou ficando mais velho, vejo que essa frase não faz o menor sentido, principalmente, quando se trata de um gênio, que transformou crônicas em poesia, editoriais em documentos históricos das páginas do rádio e levou ao futebol, cultura, humor inteligência e vibração.

Na Copa de 70 no México, é emocionante ouvir a narração do último gol do Brasil. Ele começa narrando a sequência de dribles de Clodoaldo. “Grande finta de Clodô”, até chegar ao golaço do saudoso capitão Carlos Alberto Torres. Inesquecível.  

Joseval Peixoto se despediu da Jovem Pan depois de 52 anos. Ele, sem dúvida, é um capítulo vivo da história do rádio no Brasil.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.