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Terça-feira

12 de Novembro de 2019

Arminda Augusto

Arminda Augusto é jornalista formada pela UniSantos, trabalha em A Tribuna há 22 anos e há quatro está como editora-chefe. Como repórter, cobria os setores de Educação e Meio Ambiente. Foi também professora universitária por dois anos

Um movimento de baixo para cima

Inédito ao menos por aqui, o Inova Região Metropolitana da Baixada Santista nasce com um propósito nobre, sem cor partidária e unindo forças plurais, diversas

Uma noite de chuva e frio tem tudo para afugentar o cidadão comum de um evento, certo? Nem sempre....

Na noite desta terça-feira (20), o Teatro do Sesc ficou lotado por pelo menos quatro horas. Lotado e em silêncio a maior parte do tempo, e com uma pauta que dizia respeito a todos: o desenvolvimento econômico e social da Baixada Santista.

Inédito ao menos por aqui, o Inova Região Metropolitana da Baixada Santista nasce com um propósito nobre, sem cor partidária e unindo forças plurais, diversas. Um movimento que, dentro de todos os conceitos teóricos da governança participativa, pode-se dizer diferente porque surge de baixo pra cima, ou seja, da sociedade e seus organismos vivos para políticos e governos.

Em quase todas as falas cotidianas, bate-papo entre amigos e pessoas comuns, muito se tem dito sobre a Baixada Santista e a letargia que tomou conta dos nove municípios, que sofrem para dar conta do desemprego crescente, da desigualdade social e da dificuldade de atrair novos empreendimentos. Ora porque não encontram aqui infraestrutura necessária, ora porque o lobby do interior e de outros estados é mais forte, ora porque as travas ambientais impedem que determinados negócios aqui se instalem.

Dados da Fundação Seade apontam para a Baixada e Vale do Ribeira como uma das regiões com menor desenvolvimento de todo o Estado.

O ineditismo do Inova, ao menos por ora, é reunir em torno de uma mesma causa personagens aparentemente concorrentes, como sindicatos patronais e de empregados, políticos de diversos partidos, empresários e trabalhadores, organizações da sociedade civil e, na liderança, 28 instituições de ensino e técnicas.

Às universidades caberá fazer um amplo diagnóstico da região e suas carências, tendo como foco seis possíveis eixos de desenvolvimento: turismo, logística e transportes, siderurgia, construção civil e mercado imobiliário, química, petroquímica e fertilizantes, economia criativa.

As universidades têm prazos para concluir esse trabalho, e o Inova já estabeleceu um cronograma de atuação com começo, meio e propósitos bem definidos.

"Este movimento tem tudo para dar certo e tem tudo para dar errado", disse o reitor da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Marcos Medina, durante sua apresentação. Tem tudo para dar certo porque os objetivos são comuns e partem de um incômodo latente e preocupante com a falta de ações assertivas para devolver à região o protagonismo que ela sempre teve. Tem tudo para dar errado porque buscar sinergia e consenso com uma mesa cheia de personagens tão diferentes não é tarefa fácil.

Quem foi ao teatro do Sesc na noite de terça-feira saiu surpreso. Sem "polianismo" ou inocência, é possível acreditar, sim, que movimentos assim prosperem. Sempre haverá os que torcem contra ou os que não queiram se integrar porque não terão suas vaidades pessoais acolhidas. Mas se se mantiver no final do horizonte a perspectiva de que o ganho será coletivo, com qualidade de vida para os nove municípios, não há como não acreditar no sucesso, não há como não arregaçar as mangas e trabalhar junto, não há como não contribuir com ideias, desejos, experiências e conhecimento.

No fundo, é o que todo morador da Baixada Santista espera há tempos. Esperava dos governos e seus governantes. Não veio. Esta, agora, é a oportunidade.

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