EDIÇÃO DIGITAL

Terça-feira

18 de Junho de 2019

Arminda Augusto

Arminda Augusto é jornalista formada pela UniSantos, trabalha em A Tribuna há 22 anos e há quatro está como editora-chefe. Como repórter, cobria os setores de Educação e Meio Ambiente. Foi também professora universitária por dois anos

Árvores? Árvores pra quê?

A Prefeitura de Santos cortou - sim, cortou -, no último final de semana, 40 palmeiras reais da entrada da Cidade, lá onde estão iniciando as obras para melhorar o fluxo do trânsito e a drenagem daquele trecho. Alegam os técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) que a remoção foi necessária para dar andamento às obras, e que não era possível removê-las pela raiz para outro local.

Quem passa por ali, hoje, só vê uma fileira de tocos enfiados na terra, tocos das árvores trazidas das Antilhas para o Brasil há dois séculos. E vai piorar, porque o plano é retirar um total de 79 palmeiras.

Não é preciso dizer que a medida adotada pela Prefeitura repercutiu muito mal entre a população, e as redes sociais literalmente "bombaram" com a notícia. A grita faz todo sentido, porque o que não faz sentido é a justificativa das autoridades para o não-replantio das palmeiras em outro local: processo caro e demorado, sem garantia de que o vegetal sobreviveria.

Oras, oras, oras.....

Tirar as árvores dali e colocá-las em outro lugar, segundo a Semam, atrasaria um mês as obras. Um mês? O que é um mês para uma obra que há quase 30 anos espera para ser iniciada? E se iam começar, por que não se retirou o grupo de palmeiras antes?

Cara? O que é cara para uma obra (imprescindível, é bom destacar) que custará milhões? O que é cara quando se fala de espécies tão antigas e simbólicas para a Cidade?

As árvores são "puramente cênicas", como disse o secretário adjunto. OK, então vamos tirar o jardim da praia e os pequenos arbustos e plantas que compõem o paisagismo da cidade porque, afinal, não dão sombra e "apenas" enfeitam ruas, avenidas, orla, praças....

Não havia garantia de sobrevivência. Mas ao menos tentaram?

O que faltou nesse caso foi um pouco de sensibilidade. A mesma sensibilidade que faltou há cerca de quatro anos, quando estavam retirando um ingazeiro "podre" da esquina das ruas Osvaldo Cruz com Epitácio Pessoa, no Boqueirão. Nesse caso, porém, o "abraço" da população à árvore pretensamente condenada evitou a retirada, e hoje ela está lá, bonita, frondosa e com dois ninhos de pássaros.

Todo mundo concorda que resolver a velha, cansativa e problemática situação da entrada da Cidade é mais do que acertado. Só não dá pra assinar embaixo quando o tratamento dado às questões paralelas fica em segundo, terceiro, quarto planos.

Quando essas obras terminarem, daqui dois ou quatro anos, talvez ninguém mais lembre das 79 palmeiras que estavam ali, mas a história já terá sido escrita e, infelizmente, com essa mácula para a Cidade.
 

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.