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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Alexandre Lopes

É Editor-Chefe de Web no Grupo Tribuna e responsável pelo G1 no litoral de São Paulo. No grupo desde 2008, já participou de coberturas em mais de 15 países. Atualmente, além de coordenar os portais, também apresenta o G1 em 1 Minuto e é comentarista da TRI FM.

Dado alarmante: 1.135 brasileiras foram mortas por serem mulheres em 2018

Número de feminicídios no Brasil cresceu 8,4%.

Dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo 'Monitor da Violência', um projeto idealizado pelo G1, mostram informações alarmantes. O número de feminicídios no Brasil cresceu 8,4%. Os números são referentes ao fechamento de 2018 e o aumento é obtido quando os dados são comparados com 2017.

Falar em porcentagem sempre é delicado e, muitas vezes, ilusório. Quando falamos, porém, que uma mulher é morta a cada duas horas no país, fica extremamente claro analisarmos o tamanho do problema.

Em outro texto neste espaço, esclarecemos que o feminicídio é registrado quando mulheres são mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Em 2018, 1.135 brasileiras foram mortas simplesmente pelo fato de serem mulheres.

Hoje, 8 de Março, é 'celebrado' o 'Dia Internacional da Mulher'. Mas será que realmente existe algo a celebrar? A data é lembrada como um dia para reinvindicar igualdade de gênero e remete ao período da Revolução Industrial.

Estamos em 2019 e, no nosso país, mulheres seguem ganhando consideravelmente menos que os homens para exercerem as mesmas funções. Diferenças de 20% são consideradas 'comuns', mesmo com tantas leis e discussões que proibam essa prática.

Estamos em 2019 e, no nosso país, mulheres seguem sendo mortas, dia após dia, sem chance de defesa, por conta de ciúmes e vingança de ex-namorados ou ex-maridos que não aceitam o fim do relacionamento.

Estamos em 2019 e, no nosso país, mulheres seguem brigando por direitos que são (ou deveriam ser) garantidos pela constituição cada vez mais desrespeitada em todas as esferas nacionais. Direitos são direitos, oras!

Voltando a falar dos dados alarmanetes do 'Monitor da Violência', desde março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixem na definição de feminicídio. Após quatro anos, porém, em vez de uma redução, há um aumento considerável dessa prática.

Leis, decretos e discursos não são suficientes. O que é necessário, neste momento, é mudança de atitude. Mudança de postura. Essa mudança vai desde o marido que 'julga' a mulher por usar uma roupa mais curta, até nossos estimados políticos que consideram o nascimento de uma filha uma 'fraquejada'.

Somos todos iguais.

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