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Terça-feira

19 de Março de 2019

Alexandre Lopes

É Editor-Chefe de Web no Grupo Tribuna e responsável pelo G1 no litoral de São Paulo. No grupo desde 2008, já participou de coberturas em mais de 15 países. Atualmente, além de coordenar os portais, também apresenta o G1 em 1 Minuto e é comentarista da TRI FM.

Bomba no Gonzaga? #FakeNews

Por puro instinto jornalístico, resolvi passar pelo local para ver o que acontecia

Era para ser um sábado como qualquer outro. De folga, sai de casa logo cedo para resolver algumas pendências. Visitei meu pai logo cedo, brinquei com a minha cachorrinha Bela e conversei com o meu irmão que, por conta dos horários que não batem, não o via há algumas semanas.

Ao voltar para casa, porém, encontrei o trânsito totalmente carregado. Imediatamente abri o grupo do G1 e de AT no WhatsApp e descobri a razão: Havia uma bomba no caminho para casa. Meu primeiro pensamento voou para as mensagens do dia anterior que falavam em 'retaliações de facções criminosas'.

Por puro instinto jornalístico, resolvi passar pelo local para ver o que acontecia. Dezenas de pessoas (Só não eram centenas ou milhares por causa da chuva), se aglomeravam na Avenida da Praia, na altura do Gonzaga, por conta da suposta bomba que havia sido abandonada no local.

Além dos curiosos, muitos policiais estavam no local avaliando a situação. A rua precisou ser isolada e até o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) foi acionado para detonar o explosivo, que foi levado para a faixa de areia antes de ser detonado.

Até aí, não é a primeira vez que isso acontece. O problema, porém, é que o tal artefato nada mais era do que a fantasia de um rapaz que participava de uma festa particular de uma empresa bastante conhecida. O evento ocorreu na Ponta da Praia e, no caminho para casa, o rapaz 'descartou' a falsa bomba no Gonzaga.

O artefato que despertou a curiosidade de muita gente era, na verdade, feito com um cabo de vassoura para simular a dinamite, fita adesiva, fios velhos e um painel de moto velho. Não podemos negar que o trabalho foi extremamente bem feito pois, como mostram as imagens, o objeto realmente parecia uma dinamite. Mas e os policiais que são treinados pra isso?

O desfecho dessa história pode não ser tão feliz para o 'falso homem bomba'. O caso foi levado a sério pelos policiais e a ocorrência foi registrada no 7º Distrito Policial, o que poderá fazer com que ele responda, pelo menos, por uma contravenção penal. Ao G1, ele pediu desculpas e informou que se apresentará para explicar o que aconteceu de fato.

A brincadeira, obviamente, custou caro em todos os sentidos. Policiais se mobilizaram para atender uma ocorrência 'fake' enquanto, ao mesmo tempo, bandidos invadiam casas no bairro do Marapé. Equipes tiveram que descer de São Paulo para participar da operação, o que gera um custo para o Estado e é um dinheiro que sai do bolso do contribuinte.

Temos, é verdade, que exaltar o trabalho dos policiais e das equipes que participaram da operação. Todos os procedimentos de segurança foram cumpridos conforme manda a cartilha e com perfeição. Porém, a pergunta que fica é: O artefato era tão real a ponto de enganar até equipes especializadas neste tipo de ação? Já pensou se vira moda?

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