O escorpião foi encontrado dentro de rolo de papel higiênico por casal (Arquivo pessoal) Um casal levou um grande susto ao encontrar um escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) dentro de um rolo de papel higiênico no banheiro da própria casa em Registro, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Segundo especialistas, a espécie é a mais perigosa do Brasil e a que mais causa acidentes graves envolvendo animais peçonhentos. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O engenheiro agrônomo Luís Saes, que trabalha com controle de pragas urbanas, contou para A Tribuna que foi chamado na manhã de sábado (8) para atender a ocorrência. “Para a minha surpresa, o casal estava bastante tranquilo com a situação”, relata. De acordo com Saes, o escorpião-amarelo é o principal responsável por acidentes de maior gravidade no país. Durante a vistoria, além do animal encontrado no banheiro, outros dois escorpiões foram localizados em diferentes cômodos da residência. “Agora, com o aumento das temperaturas e da umidade, o ambiente fica propício para a reprodução e o aparecimento desses animais se torna mais comum”, destaca. -Escorpião papel higiênico (1.488420) Aumento de ocorrências De acordo com Saes, o número de registros de escorpiões vem crescendo nos últimos anos, impulsionado pela urbanização, o acúmulo de entulho e as mudanças climáticas – fatores que ampliam o habitat e favorecem a reprodução deles. “Beiradas de rio e lugares com muitas casas demolidas e restos de obras são locais que apresentam um risco maior”, observa. Segundo dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, até novembro deste ano foram registrados 34.467 casos de acidentes com escorpiões, com dois óbitos confirmados. Espécie de maior risco O biólogo Ricardo Samelo reforça que o Tityus serrulatus é o escorpião mais perigoso do Brasil, sendo responsável pela maior parte dos acidentes graves. “Os escorpiões do gênero Tityus têm peçonha de interesse médico, ou seja, em caso de acidente, o quadro pode se agravar e ocasionar óbito”, explica. Segundo o biólogo, embora os demais escorpiões brasileiros possam picar e inocular toxinas, os acidentes não causam nada além de sintomas locais, como dor e inchaço. Já os animais do gênero Tityus possuem peçonha de ação mais ampla e, por conta disso, podem causar sintomas graves, como náuseas, vômitos e sudorese. Em casos extremos, o paciente pode apresentar dificuldade para respirar e insuficiência cardíaca. Samelo destaca ainda que o escorpião-amarelo tem uma peculiaridade reprodutiva que favorece sua proliferação: a partenogênese. “Quando as fêmeas encontram condições ambientais favoráveis, elas fazem ‘cópias’ delas mesmas. Neste caso, não existe a necessidade da presença de um macho para a reprodução”, explica. “Isso facilita o processo reprodutivo e aumenta consideravelmente a população desses animais, que em alguns locais acabam se tornando pragas urbanas”. Prevenção e cuidados Saes destaca que o escorpião costuma procurar locais quentes e úmidos, podendo ser encontrado em ralos, rachaduras, entulho ou restos de construção. Porém, como visto no caso em Registro, também pode aparecer em lugares inusitados. “É sempre muito importante você fiscalizar o calçado antes de usar, que é um dos esconderijos de que ele mais gosta”, destaca. Segundo o especialista, o conhecimento é o maior aliado para a prevenção de acidentes. “Para quem tem crianças e pets, conhecer bem os hábitos desse animal é fundamental”. Em caso de picada, a orientação é procurar imediatamente o hospital mais próximo e, se possível, levar o animal para identificação. O Instituto Butantan oferece atendimento para esclarecer dúvidas sobre escorpiões, cobras e outros animais peçonhentos. Além disso, o estado conta com 228 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs), distribuídos para garantir atendimento rápido, especialmente em casos envolvendo crianças de até 10 anos. As informações sobre os hospitais de referência podem ser consultadas no painel interativo da Secretaria da Saúde.