Usuários de ônibus reclamam de superlotação em linhas que passam por São Vicente

Linhas municipais e intermunicipais são as principais queixas

Basta passar por alguns pontos de ônibus de São Vicente para perceber que as linhas intermunicipais e municipais estão lotadas. Ontem, nossa Reportagem passou por ao menos três deles, na Rua Padre Anchieta, no Centro, na Avenida Presidente Wilson, no Gonzaguinha e próximo à Ponte dos Barreiros, na área insular. 

E ao ouvir as histórias dessa dessas pessoas, fica claro que o problema não melhorou mesmo num período de pandemia causada pelo novo coronavírus. Ele apenas teve o horário ampliado. 

Foi a constatação do aposentado Umberto de França, de 61 nos. Morador do Parque Bitaru, ele contou que tomou um susto quando teve que ir ao Centro ontem. “Não há afastamento dentro dos ônibus. As linhas continuam lotadas, isso só vai piorar a situação de saúde, com a proliferação ainda maior do vírus”, diz ele. 

França fez um esforço para ir ao Centro, ontem, porque os assuntos pessoais que precisavam resolver no banco não eram possíveis remotamente. Pior, ele não teve nem como viver o luto de ter perdido o pai, um dia antes, para a Covid-19.

“Não pude me despedir. Eu entendo a questão da economia, mas é preciso mais cuidado. Essa doença é muito séria”, afirma ele. Seu pai morreu aos 93 anos, após mais de 11 dias internado. Segundo ele, sua saúde era boa, apesar da idade. 

Mais reclamações

Claudia Maria Rodrigues, de 61 anos, trabalha no Itararé e mora no Jd. Rio Branco. Suas reclamações são principalmente por conta das linhas 201 e 101, que usa diariamente.

Diabética e hipertensa, ela conta que está muito preocupada com sua saúde. “Acho que poderia ter mais linhas ou então liberar toda a frota, caso não esteja disponível”, reclama ela.

Também no Ponto da Padre Anchieta, o vendedor Ângelo Márcio dos Santos, de 22 anos, notou o mesmo problema, só que em linhas intermunicipais. “De manhã, por volta das 10 horas, é pior. Mas agora percebi que depois do almoço, por volta das 14 horas, está só piorando”, diz ele, que mora em Praia Grande e trabalha no Centro de São Vicente e pega principalmente as linhas 934 e 931.

A esteticista Eduarda Ribeiro, de 22 anos, mora em Santos e trabalha em São Vicente. Seu problema é mais com a linha 7. “De tarde ainda está menos pior, mas de manhã é sempre lotado”, conta. 

Ponte

Próximo à Ponte dos Barreiros, os usuários precisam trocar de ônibus por veículos menores, que estão liberados para travessia, enquanto os maiores seguem proibidos desde a inauguração, na semana passada.
Os mesmos problemas foram vistos pela Reportagem. A superlotação também atingiu as linhas “express”, que levam até a Ponte. 

Respostas

A Viação Piracicabana, responsável pelas linhas intermunicipais, foi cobrada com relação a superlotação dos ônibus, mas não respondeu até o momento.

A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Trânsito e Transportes (Setrans), informou que mantém fiscalização junto à Otrantur, empresa responsável pelo transporte municipal, para que sejam cumpridas todas as determinações necessárias à prestação do serviço na Cidade. Entre elas, destaca-se a lotação nos veículos, sobretudo neste período em que as aglomerações têm de ser evitadas, para se impedir a disseminação da Covid-19.

A administração municipal ressalta que vai notificar a empresa sobre possíveis aglomerações nos ônibus. Além disso, os usuários podem comunicar essa e outros tipos de ocorrências à Ouvidoria do Município. As solicitações podem ser feitas por meio dos números telefônicos (13) 3579-1330 e (13) 3579-1331.

Já a Otrantur Transportes & Turismo informa, com relação as reclamações de superlotação nos horários de pico das linhas que vem da área continental, que os carros passam no intervalo de 5 minutos. Segundo a companhia, muitos dos passageiros não esperam o próximo veículo, causando a lotação do mesmo. Ainda de acordo com a empresa, muitas das vezes o carro que está logo atrás vai vazio por esse motivo.

Ainda segundo a Otrantur, a linha 101 que faz a integração dos passageiros que querem ir até a divisa entre São Vicente e Santos. Com isso, a empresa não tem passageiros suficiente que utilizam essa linha para andar com os carros sempre lotados.

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