EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

22 de Abril de 2019

Pedro Gouvêa fala em recolocar São Vicente no caminho do crescimento

Nos 487 anos da fundação do município, prefeito fala sobre primeiro biênio à frente do Executivo, trabalhos desenvolvidos e a relação com o governo

São Vicente comemora 487 anos nesta terça-feira (22). Para o prefeito da cidade, Pedro Gouvêa (MDB), o momento é de celebrar as conquistas obtidas nestes dois primeiros anos à frente do Executivo. 

Na visão do gestor, o trabalho realizado por toda a equipe de governo está "recolocando a cidade de volta ao caminho do crescimento".

Em entrevista para A Tribuna On-Line, o emedebista cita as principais conquistas para São Vicente, fala sobre o relacionamento com o Governo do Estado de São Paulo, a gestão à frente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) e as aspirações para o munícipio nesta data.

AT - Qual balanço o senhor faz desses dois primeiros anos de gestão neste mandato como prefeito de São Vicente?

Pedro Gouvêa - Foram dois anos de muitas conquistas, onde, no primeiro, organizamos a casa, e, no segundo, iniciamos a reconstrução de São Vicente. Quando assumimos a administração vicentina, herdamos uma cidade com muitas dívidas e inadimplente. Mas, deixamos a inadimplência para trás. E isso foi possível graças ao esforço e o empenho da nossa equipe, que é totalmente focada no trabalho desenvolvido. Este foi o maior desafio até aqui, pois tudo o que foi feito tivemos de honrar com os compromissos formalizados. Assim, vencemos os obstáculos encontrados, recolocando a cidade de volta ao caminho do crescimento.

AT - Quais as principais conquistas que o senhor destacaria neste biênio à frente da cidade?

Gouvêa - Temos, atualmente, um volume grande de obras acontecendo. Fazem parte deste contexto pavimentação e repavimentação de ruas e avenidas, projetos de urbanização em canais e praças, reformas e ampliações em escolas e muitas conquistas na área da saúde. Das 60 unidades escolares, temos 28 passando por reparos ou ampliação. Tudo isso dentro de um planejamento que temos feito para que, em 2020, possamos completar este ciclo, fazendo as outras 32 que faltam. Temos 60 creches e mais duas que serão inauguradas nos próximos dias, uma no Parque Continental e uma no Samaritá. Ambas nos mesmos moldes das outras duas que inauguramos no ano passado. Também vamos inaugurar, no dia 23, o Berçário “Edmundo Capellari”, no Jardim Independência.

Entregaremos, em breve, uma obra que vai marcar a vida da Área Continental, que é a duplicação da Avenida Quarentenário. Este é um projeto emblemático no município, pois vai facilitar, agilizar e melhorar a locomoção de quem vive ou vai para a Área Continental. Esta região tem sido atendida com obras de pavimentação. Atualmente, temos projetos em andamento no Rio Branco, Samaritá, Parque Continental, Humaitá e outros bairros da região. A médio prazo, teremos, pelo menos, 150 ruas pavimentadas ou repavimentadas em toda a cidade.

Temos de lembrar que quase metade dos vicentinos mora na Área Continental (cerca de 150 mil pessoas). Então, nossa atenção é especial para com esses moradores. Por exemplo, muitos dos investimentos que estamos fazendo na educação estão voltados aos bairros da Área Continental.

Na saúde, reabrimos o Hospital do Humaitá, que conta com 20 leitos. A partir deste mês, estamos iniciando o processo para abrir mais 20 leitos na unidade. Assim, grande parte dos investimentos estão sendo voltados a esta região, que merece toda a nossa atenção. Inclusive, levamos um núcleo de uma universidade pública para lá (Universidade Virtual do Estado de São Paulo – Univesp).

Pedro Gouvêa, prefeito de São Vicente (Foto: Nirley Sena/AT)

O novo Plano Diretor foi aprovado pela Câmara, e ele faz um amplo planejamento sobre tudo aquilo que desejamos para o crescimento da nossa cidade. Ele define um novo padrão para que, assim, possamos buscar investimentos e atrair a iniciativa privada. Com um município mais atrativo, teremos como trazer mais investimentos e gerar mais empregos. Então, tivemos muito cuidado na elaboração do Plano Diretor. E muito do que foi traçado passa pela Área Continental, que é um diamante bruto que está sendo lapidado com os investimentos que temos feito nos últimos meses.

Além disso, a nova Rodoviária está operando no Bitaru, e com total capacidade para atender bem a quem chega ou sai da cidade. A previsão é de que ela atenda a pelo menos 1.500 pessoas por dia. Inclusive, já estamos recebendo passageiros que vêm de outras cidades. As empresas estão muito bem instaladas no local, e os usuários têm um serviço com qualidade expressiva, ao contrário do que acontecia na rodoviária provisória. Todo o novo espaço está integrado ao Centro Administrativo Municipal, que terá, anexo, um Terminal Municipal de Transporte, interligando a Rodoviária ao transporte municipal. Isso trará mobilidade total para quem está no local ou tem de passar por ele. A nova Rodoviária, inclusive, está muito bem estruturada, contando com todos os serviços necessários para os passageiros.

Além disso, no mesmo terreno da Rodoviária, foi implantada a sede da Guarda Civil Municipal e o Canil Municipal. Ainda, no terreno onde está o Centro Administrativo Municipal, funciona o 39° Batalhão de Polícia Militar do Interior. Também abrimos equipamentos na área da saúde. A questão da UPA foi uma obra iniciada para estes fins. Mas, ela não foi utilizada naquele local, por conta de uma série de problemas no projeto. Nós optamos por, ao invés de fazer uma nova obra, utilizar o espaço que já estava pronto para receber alguns equipamentos da saúde, que precisavam sair da área do Crei. Por exemplo, o CATO.

Ainda, o AME foi uma conquista muito importante para São Vicente. No início do governo, reabrimos o Hospital do Humaitá. Esses dois espaços deram início a uma série de movimentações na Saúde, e que estamos ampliando, por meio de convênios assinados com o Governo do Estado. Tudo isso vai garantir o que queremos para a saúde vicentina, que é o melhor atendimento para a população. Estamos com uma obra, na Rua João Ramalho, que em 90 dias, aproximadamente, vai receber o Centro de Especialidades.

Com a transferência, o prédio onde hoje funciona esta unidade de saúde será reformado e adequado para receber o Pronto Socorro, que sairá do prédio do Hospital Municipal. Após essa transferência, começa a terceira fase, que é a de ampliação, reestruturação e remodelação do espaço onde hoje funcionam o Hospital Municipal e o Pronto Socorro. Com a obra concluída, teremos o Hospital funcionado sozinho e em espaço ampliado. Esta é uma obra que vai dar para a cidade um hospital de primeira.

Junto a isso, estamos levando para o Hospital São José uma parte da saúde, com um Centro Cirúrgico, leitos de UTI e mais 23 leitos à disposição do município. Tudo isso faz parte do novo modelo para a saúde vicentina. Também promovemos a reforma da Maternidade, e o próximo passo será iniciar a reforma dentro dos leitos da unidade. A meta é ampliar a capacidade de atendimento. Todos esses são investimentos que estão acontecendo paralelamente. Uma outra proposta que estamos desenvolvendo é a de ampliar o horário de atendimento, provavelmente até às 20h. Dessa forma, teremos como garantir a prestação do serviço para quem trabalha e que, em alguns casos, acaba não conseguindo passar pelo médico.

AT - São Vicente foi a cidade mais afetada com a suspensão dos convênios junto ao Governo do Estado de São Paulo. Como está o trabalho do Executivo municipal em tentar destravar essas verbas?

Gouvêa - Todos os convênios assinados têm planos de trabalho apresentados e aprovados. Todos eles têm a publicação necessária. Todas as obras começaram, como as da área de pavimentação, onde três projetos estão com cerca de 50% dos serviços iniciados. Foram pagos 20% do sinal, e apresentados 20% de obras feitas, e que têm a autorização de pagamento do estado. Além de existirem 20% de prestações de contas. Então, não tem como interromper um convênio que está em andamento. Esses convênios têm legalidade. Por isso, esperamos que o governador reveja a decisão tomada. Para isso, vamos continuar buscando o diálogo com o governador e a Casa Civil.

AT - Quais seriam as áreas mais beneficiadas por esses convênios?

Gouvêa - De uma forma geral, áreas que atendem aos interesses do cidadão vicentino, e os das outras cidades que também tiveram convênios suspensos. Entre eles, estão projetos de infraestrutura e serviços essenciais.

AT - O governador João Doria foi oposição ao candidato apoiado pelo senhor nas últimas eleições, o ex-governador Márcio França. Como o senhor espera que seja essa relação com o Governo do Estado?

Gouvêa - O discurso do governador é de que ele colocará em prática uma nova forma de fazer política. Se, realmente, for assim, então é certo que ele estará voltado aos interesses do cidadão e das cidades paulistas. Nosso princípio é de buscarmos juntos a solução de problemas que temos em comum, pensando sempre na construção de um estado realmente forte. O entendimento e a união são essenciais para que possamos obter resultados que atendam aos interesses do cidadão.

AT - O senhor pensa em alguma mudança administrativa para essa sequência de mandato? Trocar algum secretário?

Gouvêa - Todos os secretários têm mostrado empenho desde o início do governo. Trocar, ou não trocar, faz parte de uma adequação técnica, caso isso seja necessário.

AT - Como tem sido o relacionamento com o Legislativo vicentino?

Gouvêa - Como disse anteriormente, o entendimento, o bom relacionamento e a união de todos os envolvidos no processo são fundamentais para que possamos construir nossa cidade. Por isso, nosso foco é manter o bom relacionamento que temos com o Legislativo.

AT - No próximo mês, o senhor deixa a presidência do Condesb. Como o senhor avalia sua gestão à frente do conselho?

Gouvêa - Durante um ano, procurei a integração total dos municípios, de forma a fortalecer a ideia da metropolização. Afinal, o objetivo da união de todos é fortalecer a nossa região e, consequentemente, as cidades.

AT - O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, avaliou que o Condesb foi alvo de uma disputa política em 2018 e, com isso, houve um mal-estar e uma pauta enfraquecida. O senhor compartilha desta visão do chefe do Executivo praia-grandense?

Gouvêa - Creio que isso foi uma questão de momento. O que foi dito fez parte de um contexto, naquele momento. Agora, o que realmente importa é, independentemente das divergências, que as cidades continuem unidas e buscando em conjunto a solução dos problemas que têm em comum.

AT - O que senhor deseja para a cidade e para o cidadão vicentino neste aniversário?

Gouvêa - Minha mensagem é de otimismo e esperança. De certeza que estamos no caminho certo. Fazendo um trabalho difícil, mas com saldo muito positivo de reconstrução da cidade. De resgate da autoestima do vicentino, de credibilidade de diversos setores da sociedade. Sempre buscando parceria com o Legislativo e com a sociedade, sempre ouvindo a sociedade.

Passamos por um momento político muito diferente, e a gente precisa se adequar a esse novo momento, ouvindo mais a população, dando maior participação para ela e para os conselhos, que são importantíssimos.

Estamos, em 2019, criando um conselho que vai reunir diversos segmentos, para que possamos discutir de maneira integrada o crescimento da cidade. Será um conselho que vai ter iniciativa privada, setor público e participação efetiva da sociedade. Para que possamos discutir São Vicente como um todo. Os conselhos tratam de temas específicos, quero integrar isso.

Esse é um plano para 2019. A minha palavra para o município é que conseguimos trazer de volta a esperança de dias melhores para os vicentinos.

Pedro Gouvêa, prefeito de São Vicente (Foto: Nirley Sena/AT)