EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Moradores questionam novo sistema de transporte público de São Vicente

Embora a Administração confirme novos ônibus na segunda quinzena de novembro, transição do sistema ainda não está ocorrendo

O novo sistema de transporte público deve começar a funcionar a partir da segunda quinzena de novembro, em São Vicente. A informação é da Secretaria de Transportes do Município. Mas os detalhes sobre como a atuação da Otrantur, empresa que venceu a licitação em abril e vai operar o sistema, ainda são um mistério para moradores e até para quem deve trabalhar para a concessionária.

Pelas ruas, os usuários de ônibus e lotações afirmam que não houve, até agora, nenhuma divulgação sobre como ocorrerá a mudança.

A auxiliar de limpeza, Raquel da Costa, 44 anos, espera que haja mais ônibus circulando. Porém, não viu nenhum sendo testado até agora. “Será que vão melhorar o atendimento, principalmente, na hora de pico? As lotações ajudam bastante, mas precisa haver mais quantidade”.

O motorista autônomo, Carlos Francisco, 37 anos, tem mais questionamentos na ponta da língua. “Eles falam que haverá integração com o VLT. Como será isso? Com qual cartão será feito? Quem tem cartão-transporte como fica? O saldo vai valer até quando?”.

Outra dúvida vem do guarda-vidas Marcelo Feitosa, 45 anos. “Eles falam em mudar o sistema de transporte, mas não estou vendo planos para a construção de um terminal”, questiona.

E reclama da falta de informação. “Estamos praticamente em novembro e não há divulgação sobre o início do serviço. Em Guarujá, quando trocaram de empresa, houve muita informação e com bastante antecedência”.

Aos 21 anos, a estudante Thalia Bellini tem uma preocupação que vai além de suas necessidades. “Quero saber se vão atender bem os idosos. Porque hoje eles sofrem muito ao pegar uma lotação”.

Situação que a aposentada Maria Oliveira Silva, 77 anos, conhece bem. “Eles não gostam de levar idoso. Fingem que não veem a gente. Uso o mínimo possível. Agora, espero que seja diferente”.

Motoristas

Paulo Menezes, 62 anos, está contando os dias para começar a trabalhar pela Otrantur. Entretanto, não sabe quando isso ocorrerá, embora já tenha passado pelo processo seletivo. 

Ele atua nas lotações há 23 anos, praticamente desde o momento de implantação das vans na Cidade. “Acho que será melhor. Seremos registrados. Agora aguardo a empresa chamar”.

Outro profissional, que não quis se identificar, conta que também não foi convocado e nem informado sobre os próximos passos para a contratação. “Participei do processo de seleção, mas até agora nada de ser chamado”.

Secretário afirma que está tudo sob controle

Embora não bata o martelo sobre uma data, o secretário de Transporte do Município, Alexandre de Almeida Costa, diz que está tudo sob controle para o início das operações, faltando apenas alguns ajustes. 

“Estamos com previsão para o início da segunda quinzena de novembro. O ideal seria começar no dia 15, que é um feriado, ou em um final de semana. É mais tranquilo para ajustar o sistema”.

Mas, há um detalhe importante na história: todos os usuários precisarão de um novo cartão para embarcar nos coletivos e a troca nem começou há, praticamente, um mês do início das operações.

“O sistema de bilhetagem é diferente do atual. Então, o cartão precisa ser trocado. É algo semelhante a você utilizar o cartão de um banco em outro. Ele não aceitará porque são sistemas diferentes”, explica o secretário.

Sem data

Porém, não há data para iniciar a troca. “Vai começar em breve. A empresa está terminando a loja dela para abrir ao público”.

O secretário diz ainda que as pessoas terão um prazo, provavelmente entre 60 e 90 dias, para que haja a transferência de saldo de um cartão para o outro. “As pessoas não serão prejudicadas”.

Integração

Quanto a integração entre as linhas de ônibus e o VLT, o secretário informa que pode demorar um pouco mais. “Estamos na fase de finalização e trabalhamos para que ocorra no início das operações. Mas há muitos detalhes que precisam ser equacionados entre todas as partes”.

Segundo ele, faltam resolver itens técnicos e operacionais para que a integração se efetive. “Precisa definir valor da tarifa, como será a partilha dela, a transferência de dinheiro. Há uma série de questões administrativas que as pessoas não percebem quando usam o cartão integração. Existe um mundo atrás disso”. 

Resposta

Consultada, a EMTU informou que aguarda informações adicionais sobre a operação comercial e o envio de documentação complementar por parte da Otrantur para dar andamento nas conversações sobre a integração.

A Reportagem tentou contato diversas vezes com a Otrantur por telefone, mas ninguém atendeu as ligações na empresa. O e-mail indicado na site retornou e nem pessoalmente foi possível encontrar algum representante da concessionária para dar explicações sobre a mudança no sistema de transporte.

Tudo sobre: