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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Atendimento a pacientes com problema de visão vai mudar em São Vicente

Cidade rompeu contrato com instituto, alterando rotina de quem trata glaucoma e outras doenças

A Prefeitura de São Vicente rompeu o contrato com o Instituto Brasileiro da Visão (IBV) e, com isso, cerca de 300 pacientes terão de enfrentar mudanças no processo de atendimento. Alguns, inclusive, entrarão na fila para retirar medicamentos na Farmácia de Alto Custo do Governo do Estado – incluindo os que tratam glaucoma.

O distrato ocorreu em 22 de maio. Segundo funcionários da entidade que não quiseram se identificar, o motivo foi financeiro e São Vicente se tornou a última cidade da Baixada Santista a romper vínculo com a empresa (que já trabalhou com as prefeituras de Praia Grande e Cubatão).

Atualmente, nenhum atendimento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na sede da IBV. Uma pessoa ligada à gestão da entidade informou que cerca de 3 mil pacientes deixaram de se beneficiar devido aos distratos dos últimos anos.

São Vicente tinha parceria desde 2002 e, pelo menos desde 2017, há reclamações sobre falta de atendimento. A cabeleireira Gertrudes Brandão Silva, de 58 anos, não se conforma.

“A primeira vez que fui na mídia para contar essa situação era em novembro de 2017. Várias vezes suspenderam o atendimento. Agora fiz exames, estou com tudo na mão para operar e não ficar cega e acontece isso”, diz ela, que já teve de comprar um dos colírios do tratamento que custa cerca de R$ 200.

Perguntada sobre a dívida, a prefeitura vicentina não repassou números. Informou que a paciente citada passou por consulta dia 1º de abril e fez exames dia 5 do mesmo mês.

Em nota, a Secretaria de Municipal de Saúde ainda explicou que o IBV é credenciado pelo Ministério da Saúde para o Projeto Glaucoma, mas por enquanto só há tratativas para a retomada do serviço prestado. Há, inclusive, uma reunião agendada com o instituto sobre o assunto.

Demais cidades

Na maior parte das cidades da região, o atendimento a doenças oftalmológicas é feito após encaminhamento pela rede de saúde básica. Mas, em alguns municípios, há programas específicos.

Em Cubatão, os casos de glaucoma e outras doenças oftalmológicas são atendidos pela Policlínica da Avenida Nove de Abril, 1.811, no Centro.

Em Guarujá, a opção é o Centro de Referência em Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia (Croof), na Avenida Leomil, 518, Centro.

Só exames não oferecidos na rede municipal são encaminhados ao Hospital Santo Amaro, ao Ambulatório Médico de Especialidades (AME) ou para São Paulo. Além disso, três farmácias municipais oferecem tratamento contra glaucoma.

Em Santos, exames e procedimentos oftalmológicos são encaminhados a clínicas particulares, dentro do programa Meta 30, que reduziu a espera de serviços especializados em até 30 dias após o pedido médico.

Atualmente, o prestador é o Hospital de Olhos Grottone e é preciso ser encaminhado pela rede municipal.

O que fazer

Caso São Vicente não consiga reaver o atendimento, pacientes como Gertrudes precisarão procurar uma unidade de saúde, passar pelo clínico geral, aguardar agendamento com oftalmologista e, após consulta e novos exames se preciso, ter um encaminhamento ao AME e Farmácia de Alto Custo do Estado. Assim já acontece em outras cidades da Baixada Santista.

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