Artista de São Vicente colore a cidade para homenagear profissionais que combatem o coronavírus

Muros, espaços comerciais e até contentores de lixo são ‘quadros em branco’ para Nill Graffites expor sua arte urbana

Num passado anterior ao desenvolvimento da escrita, as paredes e tetos de cavernas serviam de quadros para imprimir o conhecimento acumulado por pequenos grupos nômades. Quase quatro milênios depois, a mesma lógica das pinturas rupestres tem movido o artista urbano Nilson Ferreira Júnior, mais conhecido como Nil. Ele é responsável por um colorido diferente e inspirador pelas vias de São Vicente. E sua arte tem por missão abordar temas relevantes à comunidade.

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Diversos pontos vicentinos contam com o traço delicado do artista urbano, como as paredes do antigo Cinema 3D, na Praça 22 de Janeiro, ou o imenso painel alocado na repartição pública que antes dava lugar ao Centro de Convenções vicentino. Nem mesmo contentores de lixo (de alvenaria) passam ilesos pelo olhar de Nil. Detalhes e cores que surgem por meio da técnica de pintura aerografia. Similar ao grafite, esse método usa pistola de pressão de ar em detrimento as latas de spray.  

Qualquer espaço em 'branco' é uma nova tela para o artista (Divulgação/Arquivo Pessoal)

E a sensibilidade do artista não passaria imune durante a pandemia do novo coronavírus. A esperança em superar uma das mais graves crises sanitárias da humanidade é a tônica do ‘street art’ que estampa um muro na esquina da Avenida Augusto Severo com a Rua Tupi, na Vila Nossa Senhora de Fátima. 

Nil retratou os profissionais que estão se dedicando na linha de frente contra o novo coronavírus. “Estava com isso na cabeça (grafitar um painel sobre a luta de quem se dedica contra a Covid-19), mas me parecia meio óbvio. Mas há horas que o óbvio se faz necessário. Para que eu possa compor, não tem mágica: as imagens foram fluindo espontaneamente”, conta. 

Assim, mesmo sem ter essa proposta em mente, Nil incluiu a Cellula Mater na rota das cidades globais que estampam painéis de ‘street art' para retratar o combate à Covid-19. De Nova York (EUA) a Palestina (Oriente Médio), não faltam pinturas homenageando o serviço público de saúde e as ações de combate à pandemia. 

Detalhe do painel que presta homenagem aos profissionais contra a Covid-19 (Divulgação/Arquivo Pessoal)

“Tenho na família pessoas que não tiveram ‘home office’, são policiais, pessoal da saúde, amigos voltados ao atendimento ao público que não puderam parar em momento algum. Então, isso me incomodou, ainda mais vendo pessoas que amo e convivo se expondo ao (possível contágio) de Covid-19 sem ter opção de parar e trabalhar de casa”. 

Traços do artista também estampam o comércio vicentino (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Com mais de duas décadas desenvolvendo suas técnicas artísticas, Nil revela um pouco de seu processo de criação. “Eu deciso ‘bolar’ as coisas e entro nisso de cabeça. Eu não risco (a parede antes), não faço croqui, esboço, rascunho. Nada disso. Olho para o local que vou pintar e aparece a inspiração na hora. Vou e faço". 

Ele chama de ‘missão’ sua jornada. Diz ter prazer em levar artes às pessoas, em especial nos bairros periféricos, nos quais o acesso à arte é difícil. “Da forma como faço, sei que meu traço é único. Isso não me enche os olhos. Estou aqui para fazer e não importa onde. O que quero é contribuir para uma cidade melhor e tornar a sociedade mais justa. É a forma que encontrei para tentar mudar a minha comunidade”.

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