O fenômeno da bioluminescência foi registrado na Praia do Itararé, em São Vicente (Arquivo pessoal / Maykon Canesin Clemente) Um fenômeno natural transformou a areia da Praia do Itararé, em São Vicente, no litoral de São Paulo, em um verdadeiro espetáculo de luz na noite de sábado (6). O efeito surpreendeu quem passava pela orla – e também pôde ser visto no mar, em tom de azul neon. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O agrônomo Maykon Canesin Clemente registrou o momento enquanto caminhava na beira da água, acompanhado por um grupo de pessoas. Eles logo perceberam um brilho diferente na areia. “Percebemos que se tratava do fenômeno de bioluminescência, comum no gênero de algas (Noctiluca) presentes no local. Havia um aglomerado de algas trazidas pela maré”. Foi a primeira vez que Maykon viu o fenômeno, algo que descreve como inesperado e divertido, principalmente ao observar pegadas brilhando na praia. -Praia de São Vicente faixa de areia brilhante (1.491793) Areia e mar brilhando O fenômeno conhecido como 'mar brilhante', com ondas em tom de azul neon, é provocado por altas concentrações do plâncton Noctiluca scintillans, como explica o biólogo marinho Eric Comin. Segundo ele, trata-se de um dinoflagelado marinho unicelular conhecido por sua capacidade de emitir bioluminescência. “É um fenômeno que faz o mar brilhar em azul neon quando o dinoflagelado é perturbado, como por ondas ou pegadas, através de uma reação química dentro dos seus ‘cintilões’ celulares, servindo para defesa ou atração de presas”. A principal causa é a alta concentração de matéria orgânica e nutrientes, o que, conforme Eric Comin, é comum no verão e acaba favorecendo o crescimento desses seres. São organismos marinhos microscópicos, como o fitoplâncton – algas. “Quando eles são agitados, uma reação química entre substâncias como a luciferina e a luciferase é ativada, liberando luz. O brilho é visível em águas calmas e escuras, como em praias, especialmente em noites de Lua Nova, quando o fenômeno é mais notável”, conclui o biólogo.