O prazo de início das operações da 2ª fase do VLT foi postergado duas vezes, com um aditamento no contrato de obras (Sílvio Luiz/ AT) Na madrugada de 20 de setembro de 2024, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) percorreu pela primeira vez o Centro de Santos em fase de testes. Passado um ano, o trecho entre a Avenida Conselheiro Nébias e o Valongo segue sem operação comercial. Porém, de acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a previsão é que o serviço seja inaugurado ao público ainda este semestre – mas sem informar a data, nem o mês. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma vistoria técnica realizada ontem, com representantes da Artesp, CPTM, BR Mobilidade, CET-Santos e das prefeituras de Santos e São Vicente, atestou a viabilidade do início das operações ainda em 2025. “A operação será implantada de forma gradual e evolutiva, garantindo um início seguro e integrado com os demais modais e com o fluxo de pedestres”, afirmou André Isper, diretor-presidente da agência. De acordo com a Artesp, o VLT encontra-se na fase de testes da via permanente e da rede aérea, além da conclusão da instalação dos sistemas de energia, sinalização, telecomunicações e arrecadação. Segundo o presidente da CET-Santos, Antônio Carlos Silva Gonçalves, “um mês antes da entrega comercial do VLT, a CET estará promovendo campanhas educativas voltadas a motoristas, comerciantes e à população em geral no circuito do sistema, orientando para que os veículos não parem mais sobre os trilhos”. Custos aumentaram O prazo inicial para começarem as operações foi o primeiro semestre deste ano. Em 18 de fevereiro, em visita à região, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantia que as operações começariam em 180 dias, ou seja, em agosto. Quando agosto chegou, o VLT continuou apenas em testes, mas não só: foi anunciado que o valor inicialmente previsto para a obra, de R\$ 217,7 milhões, precisou de um aditivo, passando a R\$ 612 milhões. De acordo com a Artesp, a EMTU não concluiu a instalação da sinalização e dos sistemas dentro do prazo contratual. Como a EMTU entrou em liquidação, coube à concessionária BR Mobilidade assumir a implantação de energia, sinalização, telecomunicações, controle semafórico, arrecadação e sistemas complementares, como detecção de incêndio e wi-fi. De acordo com a Prefeitura de Santos, foram adotadas medidas para reduzir os impactos da obra, como a concessão de isenção de taxas de licença e publicidade a comerciantes afetados, além da flexibilização de regras de estacionamento durante os testes do VLT. Opiniões A longa espera pelo VLT trouxe transtornos. Um empresário de 34 anos, que tem loja na Rua João Pessoa e preferiu não se identificar, disse que ficou seis meses fechado durante as obras. “Prometeram dois meses de obra, depois mais dois, depois quatro… Quando vi, já eram seis meses fechado. Ainda bem que eu e meu sócio tínhamos uma reserva de emergência. Eu preciso do fluxo de carros, e não estava tendo (...) Essa obra só veio para atrapalhar”. O advogado Renato Santiago, de 65 anos, avaliou que a população não tem recebido o retorno esperado. “Gastaram um dinheiro muito grande e a população não está tendo esse benefício. O trem circulou só na época da campanha, mas não funcionou depois”. “A obra está levando muito tempo e atrapalhou muitos comerciantes. Eu só vejo teste, não vejo a Prefeitura fazer absolutamente nada. Acho improvável que traga movimento para cá”, diz Maria de Fátima Manso, de 71 anos, que é comerciante no Centro de Santos.