Rogério Santos se recupera de um câncer cervical. “Não há nenhuma metástase”, segundo exame médico (Silvio Luiz/AT) “Talvez eu precise aprender a ficar um pouco parado.” Foi com essa frase, dita em meio a pausas e reflexões, que o prefeito Rogério Santos (Republicanos) resumiu o momento que vive desde que recebeu o diagnóstico de câncer na região cervical (do pescoço). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna visitou o chefe do Executivo santista nesta terça-feira (26), em casa, no Bairro Aparecida, onde ele se recupera da cirurgia pela qual passou na última semana. Sentado em uma cadeira na sala, Rogério falou calmamente sobre a descoberta da doença, o impacto na família, a fé e a necessidade de desacelerar após anos sob pressão constante. “A vida é feita de bons e maus momentos. E é nos momentos difíceis que a gente mais cresce”, resumiu o prefeito. A esposa, Raysa Ribbe, acompanhou a entrevista e se emocionou em parte da conversa. Enquanto o prefeito falava, Buddy, o border collie da família, circulava na sala. “A palavra câncer é pesada, mas em nenhum momento eu fiquei para baixo. Sempre fui otimista”, disse o prefeito. Segundo ele, os primeiros sintomas começaram com um incômodo persistente na garganta. “Parecia uma espinha de peixe presa. Arranhando. Depois, começou a doer o ouvido também.” Sinais. E 30 gânglios Rogério disse que os sinais de desgaste emocional e físico apareceram meses antes do diagnóstico. Ele revelou que, por volta de março, começou a apresentar sintomas ligados ao estresse e ao burnout, sobretudo pela rotina intensa de trabalho. “Eu já vinha há algum tempo sem dormir bem. Acordava várias vezes durante a noite e não conseguia voltar a dormir”, relatou. Para o prefeito, o corpo demonstrava que algo não estava bem. Rogério procurou um otorrinolaringologista. A suspeita inicial era de uma afta ou lesão temporária. Como o quadro não melhorou, foi encaminhado a um médico especialista em cabeça e pescoço, responsável pelos exames e pela biópsia. Antes da cirurgia, o prefeito realizou exames, como o PET-scan (tipo de tomografia). “Isso me ajudou muito, porque comprovou que não há nenhuma metástase. Está tudo muito bem localizado.” Na cirurgia, cerca de 30 gânglios foram retirados da região cervical e continuam sob análise histopatológica (em microscópio). Dela depende o tratamento, com radioterapia e quimioterapia. Rogério disse não ter histórico familiar de câncer. Mesmo antes da confirmação, Rogério declarou que o câncer na garganta era um dos que mais o preocupavam. “Eu sempre tive duas cismas: câncer no intestino e câncer na garganta”. Ele lembrou que, nos últimos 13 anos, período em que foi secretário e prefeito, quase não almoçava em casa durante a semana. “Talvez, nestes 13 anos, eu tenha almoçado em casa umas seis vezes”, calculou. Agora, afastado temporariamente da Prefeitura, tenta se adaptar a uma rotina totalmente diferente. “O conselho médico é esquecer celular, esquecer os problemas do dia a dia e focar em descansar”. Mas acompanha parte da Administração a distância. “De vez em quando, eu ligo para um secretário, pergunto de algum projeto, mas estou tentando aprender a desligar”. Filhos souberam perto da cirurgia Rogério Santos afirmou que os momentos mais difíceis foram em família. Segundo ele, a esposa, Raysa, sofreu mais do que ele nos exames e na confirmação da doença. Os filhos só souberam do câncer poucos dias antes da cirurgia. “Eu não queria contar antes porque não tinha nada certo. Acho que o pai sempre tenta proteger os filhos.” O prefeito contou que reuniu as filhas no domingo anterior à operação. “Elas me abraçaram, choraram, e, aí, não tem como você não se emocionar”. Depois, em São Paulo, conversou pessoalmente com o filho. “Eu falei para ele: ‘Filho, não tem risco de morte. Então, fica tranquilo’.” O poder das palavras O prefeito também falou sobre a repercussão pública do diagnóstico e sobre as milhares de mensagens recebidas nas redes sociais. “As palavras têm poder. Isso não é só religioso, é científico.” Rogério Santos criticou o ambiente agressivo das redes sociais, mas afirmou que encontrou justamente o contrário desde que tornou pública a doença. “O que eu recebi foi carinho.” Nesta terça-feira (26), o prefeito saiu de casa pela primeira vez desde a cirurgia para visitar a Catedral de Santos, no Centro, e conversar com o pároco, padre José Myalil Paul. “As pessoas vieram falar comigo na rua, na igreja, no fórum. Foi muito bom.” Ele diz ter se emocionado até mesmo com mensagens de moradores que costumam criticá-lo politicamente. “Tinha gente falando: ‘Prefeito, eu reclamo do senhor todo dia, mas quero que o senhor volte logo para eu continuar reclamando’”. Prefeito afirmou que a fé tem sido um de seus pilares neste período (Silvio Luiz/AT) “Eu creio” Cristão e de formação católica, Rogério Santos afirmou que a fé tem sido um dos pilares neste período. Ele mostrou as medalhas que carrega junto ao corpo: uma de Jesus Cristo, outra de São Jorge e uma de Nossa Senhora Aparecida. “(A de) Cristo foi meu filho que me deu. São Jorge porque minhas filhas falam que eu sou guerreiro. E Nossa Senhora Aparecida foi minha netinha”. Ao falar sobre espiritualidade, ele fez uma distinção entre acreditar e crer. “Acreditar é ciência. Crer é sentimento. Eu acredito na medicina e nos tratamentos porque já vi pessoas curadas. E eu creio em Deus”. Licenciado do cargo até 18 de junho, Rogério deve iniciar, nas próximas semanas, uma nova fase do tratamento oncológico. Nesse período, a prefeita em exercício é Audrey Kleys (PSD).