Imóveis na Rua Dr. Cochrane, por exemplo, ainda estão escoradas por vigas metálicas para não cederem (Vanessa Rodrigues/AT) Meses após os abalos registrados em imóveis durante as obras do segundo trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), da Estação Conselheiro Nébias à Estação Valongo, em Santos, moradores e comerciantes do Paquetá ainda convivem com rachaduras, estruturas escoradas e preocupação com a segurança. Essa situação ocorre na Rua Doutor Cochrane, entre a Avenida São Francisco e a Rua Bittencourt, onde diversos imóveis permanecem sustentados por vigas metálicas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O marceneiro Lucas Silva, de 36 anos, que trabalha em um dos imóveis mais afetados, afirma que os problemas começaram durante as obras. “Quando foi passada essa tubulação, eles escavaram a calçada com uma profundidade de cerca de cinco metros. Começou a chover, a terra desmoronou e começou a ceder”. De acordo com Lucas, após os primeiros sinais de comprometimento da estrutura, moradores acionaram a Defesa Civil, que realizou uma vistoria e recomendou o escoramento do imóvel. As estruturas que sustentam o imóvel ocupam áreas internas e externas. “Fica meio difícil para carregar móveis, manusear material e montar armários. A altura acaba dificultando”. DOIS ANOS SEM FUNCIONAR Do outro lado da via, o mecânico Cícero de Araújo Alves, de 61 anos, afirma que também enfrentou problemas em seu imóvel após as obras. Segundo ele, a fachada da oficina apresentou danos estruturais. “A fachada rachou e as paredes estavam com perigo de desabar”. Cícero diz que ficou mais de dois anos sem conseguir exercer normalmente a atividade. Durante esse período, continuou morando nos fundos da oficina e relata que vivia preocupado com a possibilidade de invasões. O mecânico afirma que perdeu praticamente toda a clientela. Na marcenaria, o escoramento atrapalha a montagem de móveis (Vanessa Rodrigues/AT) RACHADURAS A Reportagem também visitou um imóvel na esquina da Avenida São Francisco com a Rua Doutor Cochrane, onde funciona um cortiço administrado por Gineci Domingo Espíndola, de 66 anos. O homem está no endereço há 22 anos e afirma que as rachaduras começaram a surgir durante as escavações realizadas nas proximidades do prédio. “No dia que eles estavam cavando do lado da parede, começou a rachar. Eu corri lá e pedi para eles pararem porque poderia cair em cima de nós”. De fato, as rachaduras estão em diversos cômodos. Em alguns pontos, as fissuras atravessam paredes inteiras e podem ser observadas dos dois lados da estrutura. Algumas famílias ainda vivem no imóvel. Além dos danos estruturais, ele relata que precisou encerrar as atividades do bar que mantinha no térreo, local onde eram gravados diversos filmes. “Fiquei sem trabalho. Vou para três anos sem trabalho”. Falhas no teto da oficina de Gineci começaram a surgir durante as obras (Vanessa Rodrigues/AT) PREFEITURA EXPLICA À Reportagem, a Prefeitura de Santos informou que o processo de desapropriações foi concluído, restando apenas as intervenções nas casas da Rua Doutor Cochrane, no Paquetá, que permanecem escoradas. Segundo a Administração Municipal, a Cohab Santista fez o levantamento socioeconômico das famílias da região central localizadas no entorno do VLT e promoveu o atendimento habitacional no Conjunto Habitacional Santos I, no Paquetá. A Prefeitura também destacou que adotou medidas para mitigar os impactos causados durante a implantação do projeto, seja para comerciantes ou população. A BR Mobilidade, que opera o VLT na região, informou que a obra citada pelos moradores não é de sua responsabilidade. Segundo a concessionária, obras civis não fazem parte de seu escopo de atuação. Já a Agência de Transportes de São Paulo (Artesp), que terminou as obras e faz a gestão do serviço, informou que a intervenção era de responsabilidade da EMTU, que foi extinta. “Assumimos a regulação e fiscalização do sistema de transporte”.