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Sexta-feira

6 de Dezembro de 2019

Empresário compra casarão da Vila Nova, em Santos

Tombado, o imóvel fica localizado na esquina das ruas da Constituição e Sete de Setembro

A história do casarão tombado pelo patrimônio histórico, na esquina das ruas da Constituição e Sete de Setembro, na Vila Nova, em Santos, tem mais um capítulo. Sem apoio do Poder Público para realizar o sonho de transformar o local em espaço cultural, o arquivista Rafael de Moraes Carvalho vendeu o imóvel. 

A compra foi feita por um empresário santista da área da saúde e ainda não se sabe qual destino terá a casa. A informação foi adiantada, na edição desta sexta-feira (9), pelo colunista social Marcio Barbuy, de A Tribuna.  

A ideia de Carvalho era fazer do casarão um museu sobre a vida e obra do poeta santista Martins Fontes (1884-1937). “Nunca tive ajuda para manter a casa como deveria. Mesmo assim, mantive lá um caseiro para manutenção. Tenho um material imenso de Martins Fontes e quero deixar isso para a Cidade, como sempre quis. Agora, o que vai ser feito com o imóvel é com o comprador”, disse o arquivista, sem revelar detalhes da transação.  

A Tribuna esteve nesta sexta-feira (9) no imóvel, que estava com os portões trancados com correntes e cadeados. Havia sinais da movimentação recente de pessoas, um andaime estava montado em frente à entrada principal e viam-se telhas empilhadas no chão. Segundo vizinhos, um trabalhador esteve na quinta-feira (8) mexendo no telhado.  

A reforma, porém, precisará ser ampla e terá que obedecer a critérios do tombamento. A casa está bastante degradada, dos portões às paredes, passando pelas estruturas de madeira. É possível ver ferrugem, mofo e infiltrações por todo lado.  

História  

A construção, em estilo neoclássico e 1.200 metros quadrados, tem 119 anos de existência. Carvalho adquiriu o imóvel em 2005, pagando em torno de R$ 700 mil. A proteção ao imóvel foi imposta em 2004 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).  

Construído em 1900 pela antiga Companhia Docas de Santos (atual Codesp) para abrigar trabalhadores do cais santista, o imóvel possui 21 cômodos, com espaço para sala de música, adega e escritório. A construção chama a atenção de estudantes e pesquisadores por ter um jardim secreto, ao qual se chega após se atravessar uma porta com largura de 80 centímetros. No ano passado, foram agendadas mais de 30 visitas monitoradas ao local.  

O casarão é conhecido como o antigo solar dos Bento de Carvalho. Exemplar arquitetônico da virada do século 19 para o 20, teve projeto assinado pelo escritório Ramos de Azevedo, também responsável pelo Teatro Municipal de São Paulo. 

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