Rua próxima à balada fica lotada e causa transtornos a moradores e comerciantes (Arquivo pessoal / Reprodução) A casa noturna e restaurante Donna G, localizada na Rua Itororó, no Centro de Santos, no litoral de São Paulo, foi alvo de reclamações por parte de alguns frequentadores, moradores e comerciantes da região da cidade da Baixada Santista. Segundo relatos, os problemas começaram no início do ano e se intensificaram principalmente nas noites de sexta e sábado, quando o público é maior. Em nota, a casa noturna afirma que as acusações de que haveria brigas, assaltos, golpe do falso Uber e drogas no local é “inverídica e associa indevidamente sua imagem a práticas criminosas e problemas de segurança pública, causando grave dano à sua honra, reputação e imagem comercial”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme documento enviado pela Donna G à reportagem, não há registros de ocorrências policiais de assaltos, golpe do falso Uber e uso de drogas relacionadas ao estabelecimento comercial. “A casa atua de forma regular, com todas as licenças, e adota rigorosas medidas de segurança, como revista obrigatória, controle de acesso e presença de equipe de apoio”. Segundo a casa noturna e restaurante, os crimes denunciados ocorrem na via pública e não no seu interior, de modo que “não foram provocados por ela, nem têm relação com sua atuação comercial”. “Nosso espaço é aberto ao público, com música ao vivo gratuita, e opera estritamente conforme o Decreto nº 10.816/2025 (Lei do Happy Centro). Isso inclui revista obrigatória na entrada, proibição de entrada com armas ou drogas, controle de acesso por gradis autorizados pelo município, banheiros à disposição do público e equipe de apoio e controladores de acesso atuando de forma preventiva”. “A casa oferece um espaço de música ao vivo onde antes havia apenas um cenário degradado, marcado por prostituição e tráfico. Com a implementação do Happy Centro, Santos passou a contar com mais um ponto de entretenimento noturno que movimenta a economia local, gerando empregos diretos e indiretos. O local proporciona uma experiência segura ao público”, afirma a Donna G. Ainda segundo a casa noturna e restaurante, “com relação ao entorno, é importante observar que mudanças no fluxo urbano não podem ser imputadas exclusivamente à casa. Vincular tais problemas ao estabelecimento, além de injusto, contribui para enfraquecer os esforços de revitalização do Centro Histórico — esforços dos quais a marca Donna G busca ser parte integrante e positiva”. Ambulantes irregulares A Donna G também apontou que a casa encerra seus eventos externos às 2 horas, como exige o decreto do Happy Centro. Após esse horário, segundo o estabelecimento, “carrinhos de bebidas clandestinos e ambulantes irregulares permanecem na via pública. Esses ambulantes operam até altas horas. Qualquer tumulto gerado nas imediações, após o horário permitido, não tem relação com a marca Donna G”, destaca a casa noturna e restaurante, que acrescenta que protocolou ofícios à Polícia Militar (PM), Guarda Civil Municipal (GCM) e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) solicitando reforço no monitoramento do entorno do estabelecimento. A casa noturna e restaurante também afirma que a acusação de que “um frei que morava na rua teve que ir embora” devido à situação não procede. Programa Happy Centro busca dar vida noturna e organização ao espaço público no Centro de Santos (Divulgação/ Prefeitura de Santos) Happy Centro Organizar a ocupação de espaços públicos e trazer vida noturna para o Centro Histórico de Santos. É com esse intuito que o projeto Happy Centro vem sendo executado desde maio deste ano, quanto foi instituído por decreto municipal. Entre os endereços beneficiados pelo programa está casa noturna e restaurante Donna G, localizada na Rua Itororó, 19, que realiza eventos para mobilizar e movimentar a região central. O estabelecimento é aberto ao público, com música ao vivo gratuita. O funcionamento do local inclui revista obrigatória na entrada, controle de acesso por gradis autorizados, proibição de entrada com armas e drogas, banheiros públicos, equipe de apoio e controladores de acesso atuando de forma preventiva. O objetivo das ações do Happy Centro também passa por reduzir a criminalidade, o tráfico de drogas e as ocorrências policiais na região central do município. Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) apontam que, de junho a setembro de 2025, foram 55 roubos registrados na área do 1º Distrito Policial (DP) de Santos, que engloba o Centro Histórico, contra 67 registros no mesmo período de 2024 - redução de aproximadamente 18%. O Donna G cita ainda que também investe, de forma constante, em controle de acesso para oferecer um ambiente seguro aos frequentadores. Regras O Happy Centro foi instituído pelo Decreto nº 10.816, em 19 de maio deste ano. Com ele, bares, restaurantes, casas noturnas e similares podem realizar atividades de natureza turística, cultural, artística ou musical, no período e área definidos pelo município. Uma comissão municipal foi criada para receber e aprovar as solicitações por parte dos estabelecimentos. As entidades aprovadas podem realizar atividades relacionadas ao Happy Centro às sextas-feiras, das 17h às 2h, aos sábados, das 12h às 2h, e aos domingos, das 12h às 24h. Nos feriados, o horário também vai das 12h às 24h. Nas vésperas de feriados, é das 17h às 2h. De acordo com a Prefeitura de Santos, os participantes do Happy Centro devem: Providenciar, no mínimo, um segurança independente do número de público estimado; A cada 100 pessoas, deve ser providenciado um segurança; A área em que se desenvolverem as atividades do Happy Centro deve ser delimitada por gradis; A permissão para participar do programa será condicionada à delimitação da área; O estabelecimento deve providenciar energia elétrica, instalação de água e saneamento para os equipamentos que utilizar; É de responsabilidade do requerente os reparos da área, via e logradouro eventualmente danificados por uso inadequado. 'Demanda antiga' Ainda conforme a Prefeitura de Santos, o Happy Centro foi criado para "atender a uma demanda antiga dos comerciantes e ampliar as ações de revitalização do Centro Histórico". A Administração Municipal afirma que, ao ampliar horários e autorizar atividades culturais para bares e restaurantes, o Happy Centro "tem cumprido o objetivo de atrair público ao Centro Histórico, movimentar a economia e valorizar o patrimônio histórico, dinamizando toda a região central". Outro ponto destacado pelo município é que todas as ações são realizadas em consonância com os comerciantes que aderiram ao programa, que, além dos benefícios, têm também responsabilidades, de acordo com as normas estabelecidas pelo decreto. Resultados Desde sua implantação, o programa vem organizando, regularizando e padronizando a realização de atividades culturais por bares e restaurantes no Centro Histórico de santos, além de movimentar significativamente a região. A ampliação da presença de público tem fortalecido os estabelecimentos locais e intensificado a retomada econômica e social do entorno, segundo a Prefeitura. Além da Rua Itororó, outros estabelecimentos do Centro Histórico de Santos também aderiram ao programa e "utilizam as mesmas condições de permissão, contribuindo para ampliar a movimentação noturna e fortalecer o comércio". Monitoramento A Guarda Civil Municipal (GCM) de Santos também realizou operações no local ao longo do ano, com o objetivo de "verificar o cumprimento da lei do silêncio, a regularidade de alvarás de funcionamento de estabelecimentos comerciais e casas noturnas, documentação de ambulantes, além de coibir a perturbação do sossego, aglomeração de pessoas, bloqueio de via pública e veículos estacionados irregularmente". As ações ocorrem em conjunto com a Polícia Militar (PM), Vigilância Sanitária e demais órgãos municipais. A GCM pode ser acionada pelo telefone 153. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria Municipal, pelo telefone 162, pela internet ou presencialmente, no térreo do Paço Municipal (Praça Mauá, s/nº, Centro). Ainda conforme a Prefeitura, a GCM presta apoio às forças de segurança, inclusive com forças-tarefas contínuas para coibir a perturbação do sossego, aglomerações e outras irregularidades. "Vale lembrar, por fim, que Santos conta com mais de 3 mil câmeras para videomonitoramento interligadas ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Município, cujas imagens são disponibilizadas em tempo real, 24 horas por dia, para que órgãos como as polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros possam ampliar a sua atuação", diz o município em nota.