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Sábado

15 de Dezembro de 2018

Antigo prédio da Ciretran, em Santos, convive com o abandono

Há mais de três anos Casarão serve de moradia para moradores de rua e usuários de droga

O imóvel onde antes funcionava a 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), na Avenida Conselheiro Nébias, 584, no Boqueirão, em Santos, há mais de três anos serve de casa para moradores de rua e usuários de drogas. A propriedade tombada pertence ao Governo do Estado e, segundo a Prefeitura, não oferece risco estrutural.

A Reportagem constatou que existe um recuo entre a casa e o muro que cerca o terreno. No entanto, nesse espaço há muito lixo que permite o acúmulo de água, ambiente propício para a proliferação do mosquito da dengue.

“Há comida, sujeira, árvores caindo e isopores cheios de água parada. Se eu fico devendo impostos à Prefeitura sou multado, vou parar na Justiça. Aqui, ninguém faz nada”, diz o aposentado Claudio Mario Federico, de 74 anos.

O imóvel está em evidente estado de deterioração. “O telhado está cheio de buracos e a casa, com infiltrações. Dentro tem muitos daqueles caramujos (africanos – que podem transmitir doenças)”, conta João Carlos de Souza, vizinho de muro do casarão. “Isso é um patrimônio histórico. A obrigação dos governos é preservá-lo”.

Comerciante reclama

Kleber Toledo Costa, de 28 anos, trabalha há 6 no carrinho de pastel da família, na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Avenida Conselheiro Nébias, em frente à antiga sede da Ciretran. Ele revela que os moradores de rua são os mesmos desde que o órgão encerrou as atividades no local.

“Mora um casal e outro amigo deles. São usuários de drogas. Já vi entrarem com bicicleta roubada, serem procurados e apanharem. Eles brigam, se xingam e já quase botaram fogo no local.” 

A presença dos ocupantes prejudica o trabalho do comerciante. “Me atrapalha muito. O cheiro de urina é insuportável. Agora, por exemplo, eu troco o óleo (usado para fritar salgados) por desinfetante e cloro. Jogo tudo na parede e na calçada”.

Imóvel está abandonado há mais de três anos (foto: Alexsander Ferraz/AT)

Respostas

Em nota, a Prefeitura de Santos diz que o imóvel não oferece risco. O executivo destaca que equipes promovem ações naquela região para encaminhar pessoas em situação de rua ao atendimento, desde que aceitem de forma voluntária.

O órgão ressaltou que a construção de barreiras físicas para evitar ocupações é de responsabilidade do Estado.

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) garante que acionará as autoridades policiais para investigar a “invasão” e solicitará apoio da Prefeitura para desocupar e coibir outras ocupações.

“O orgão assegura a manutenção periódica do imóvel, que está lacrado com cimento e alambrado, evitando a ocupação interna”. E garante que será providenciada limpeza.