Pinguins da Patagônia que ‘passam’ o inverno em Praia Grande estão em tratamento

Unidade do Instituto Biopesca, no Bairro Canto do Forte, oferece suporte aos animais resgatados, que fugiram das temperaturas baixas de Chile e Argentina

A chegada do inverno marca um fenômeno que se repete a cada ano na orla do litoral Sul paulista: a migração de pinguins-de-Magalhães. A espécie visita a costa brasileira fugindo das baixas temperaturas das águas da Patagônia, entre o Chile e a Argentina. Só que neste ano o aumento do número dessas aves vem chamando a atenção em Praia Grande. Ao menos 26 animais seguem em tratamento no Instituto Biopesca, no bairro Canto do Forte.  

Esse número representa 35% dos pinguins-de-Magalhães que aterrizaram na região. Até terça-feira (23), 74 espécies encalharam em praias de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Após passarem por todos os procedimentos e ficarem aptos, eles são devolvidos para o mar e seguem sua viagem em busca de alimento e águas mais quentes. 

A maioria das aves foi recolhida ainda com vida pela equipe do Biopesca que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Os animais foram encaminhados para a Unidade de Estabilização, localizada na sede do instituto.  

Os dados de 2020 seguem surpreendendo a equipe do Biopesca. Desde que começou a ser executado, em agosto de 2015, o PMP-BS ainda não havia registrado em sua série histórica esse número de pinguins encalhados no trecho do litoral, no mês de junho.  

No mesmo período de 2019, por exemplo, ocorreram dois registros; em junho de 2018, não houve nenhum, bem como em junho de 2016. Já no mesmo mês, em  2017, foi registrado o caso de apenas um animal. 

"O encalhe de pinguins nas praias é muito comum no inverno. Já esse grande número que estamos registrando pode provavelmente ter o sucesso reprodutivo como uma das causas, ou seja, há aumento na população desses pinguins e, assim, mais desses animais acabam chegando na costa do Brasil", explicou o médico veterinário e coordenador geral do Instituto Biopesca, Rodrigo Valle. 

Resgate  

Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos, debilitados ou mortos, entre em contato pelos telefones 0800-642-3341 (horário comercial) ou (13) 99601-2570 (WhatsApp e chamada a cobrar).  

O Instituto Biopesca funciona como uma das referências no desenvolvimento de pesquisas e atividades relacionadas à pesca e aos animais marinhos na Região Metropolitana da Baixada Santista.

A ONG deu mais um importante passo para consolidar o trabalho desenvolvido com a criação da Unidade de Estabilização de Animais Marinhos. O setor realiza o atendimento inicial dos animais resgatados vivos durante o monitoramento realizado pela organização. A Biopesca tem capacidade de tratar até golfinho. Após todos os procedimentos necessários, os animais atendidos são devolvidos para o seu ambiente natural. 

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