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Domingo

19 de Maio de 2019

Impasse afeta paciente com câncer em Praia Grande

Mulher recebeu três diagnósticos diferentes e aguarda atendimento inicial

Após três diagnósticos diferentes, uma paciente do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, aguarda, há mais de um mês por atendimento inicial para tratar um câncer.

Em setembro, com fortes dores abdominais, a dona de casa Solange Módica de Aguiar, de 49 anos, procurou atendimento médico na rede pública para descobrir o que havia.

“Falaram que era colite crônica e nos mandaram tomar remédio para a dor”, conta a filha de Solange, Priscila Módica dos Santos, que passou a levar a mãe ao Pronto-Socorro do Quietude para que a mãe tomasse a medicação.

Priscila lembra que, em janeiro, a mãe chegou a cair na rua, com dores, e a levou ao Hospital Irmã Dulce,onde ficou por dez dias.“Fizeram uma série de exames e, desta vez, disseram que ela só tinha uma hérnia umbilical. Como não era doença grave, a mandaram embora do hospital.”

A mulher voltou a ir ao PS, e as dores pioraram. Em 14 de março, Priscila voltou com a mãe para o hospital. “Não queriam nem interná-la, mas fiz reclamação na Ouvidoria e ameacei chamar a Polícia. Só assim deram atenção.”

Depois de uma bateria de exames, os médicos deram um novo diagnóstico à família: Solange tinha câncer, em estágio avançado, no fígado e no pâncreas. Desde então, aguarda transferência para um hospital de referência na área, para que ela passe por um especialista. Na semana passada, Priscila apelou ao Ministério Público Estadual, pedindo atendimento à mãe.

“Deram 24 horas para atender, mas nada aconteceu. Aqui no Irmã Dulce, eles não tem oncologista, não podem começar tratamento nenhum. Até agora, nada está sendo feito. Apenas dão medicação para a dor. Estamos tentando lutar para que ela tenha uma chance de tratamento para ficar viva”, desespera-se a filha.

Divergência

A Prefeitura de Praia Grande e a Secretaria de Estado da Saúde dão diferentes explicações.

O Município afirma que a paciente está inserida na Rede Hebe Camargo, do Governo Estadual, desde o início do mês, e é ali que se vai “definir a continuidade do tratamento ambulatorial ou hospitalar. A paciente já foi agendada para consulta pelo Estado e, enquanto for necessário, receberá os cuidados no Irmã Dulce”.

A Secretaria de Estado da Saúde alega que quem agendou a consulta com oncologista para Solange num hospital de Santos foi a Prefeitura e que não há nenhuma solicitação para que a paciente vá para outro hospital.