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Segunda-feira

19 de Agosto de 2019

Com síndrome rara, paciente chega a esperar três semanas por exame em Praia Grande

Família e amigos correm contra o tempo para reverter efeitos da doença de Guillain-Barré, que paralisa o corpo

Internado desde o dia 25 de junho no Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, Alexandre Silva de Souza corre contra o tempo atrás de tratamento para a síndrome de Guillain-Barré, uma condição rara que compromete os movimentos do corpo atacando os nervos. A esposa de Alexandre, Michele dos Santos Souza, conta que eles chegaram a esperar três semanas por uma ressonância magnética.

Em relacionamento há nove anos, Michele e Alexandre enfrentam juntos a batalha contra a doença. “Nunca tinha ouvido falar nessa síndrome, então, quando os médicos falaram o que poderia ser, fiquei com muito medo. Cacei o chão e não achei”, desabafa a esposa.

Diagnóstico

Michele conta que a suspeita da síndrome de Guillan-Barré começou quando o marido caiu em casa. Ele perdeu os movimentos das pernas e foi levado ao hospital, onde foram feitos exames.

Outro exame decisivo para o diagnóstico foi a ressonância magnética, que levou três semanas para ser realizada, uma vez que o Hospital Irmã Dulce não é referência para o procedimento. Em nota, a unidade informou que dependia de uma vaga – solicitada à Secretaria Estadual de Saúde – para fazer a ressonância. O exame foi feito na última segunda-feira (15).

Professor de Neurologia do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Mauro Gomes explica que a doença normalmente aparece após um quadro infeccioso. “Em geral, o organismo dá sinais da doença, como formigamento nos pés e mãos, levando à paralisia”. O médico também conta que a doença é autoimune, isto é, os anticorpos passam a combater não só a doença, como também atacam os nervos.

Michele dos Santos Souza conta que marido esperava por ressonância magnética desde sua internação (Foto: Arquivo Pessoal)

Esperança

Grande amigo de Alexandre, Marcos Aurélio Nascimento também pede mais conscientização sobre o problema. “A síndrome de Guillain-Barré também afeta o psicológico. A gente só espera que não aconteça o pior”, diz.

Nascimento tem esperanças de que, com o tratamento, seu amigo possa voltar a andar. “Quanto antes a gente conseguir o tratamento, mais chances a gente tem de reverter o caso. Todos nós gostamos muito dele, sempre foi muito querido. É uma mistura de sentimentos”, desabafa.