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Domingo

22 de Setembro de 2019

Peça de museu

Extinção da Dersa pode significar uma luz no fim do túnel para a Baixada Santista

A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) fez história em São Paulo. Criada em 1969, foi responsável pela construção das rodovias dos Imigrantes, Ayrton Senna e Bandeirantes, entre outras obras de vulto. Passados 50 anos, no entanto, a eficiência e a transparência de outros tempos parecem ter ficado na memória.

A empresa é alvo de investigação de inúmeras denúncias de corrupção – somente no ano passado, foram quatro casos. Não é o único problema. Nas últimas décadas, a Dersa acabou se tornando obsoleta frente aos novos desafios da gestão pública. A companhia deixou de realizar operações nas rodovias, algo que passou a ser concedido à iniciativa privada. Além de tudo, ganhou ares de elefante branco, com mais de R$ 400 milhões em dívidas. Algo precisava ser feito. E foi.

Na última terça-feira, fui um dos 64 deputados estaduais que votaram a favor da extinção da empresa em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O texto do projeto de lei do Governo do Estado aponta que o modelo a ser adotado, agora, é o da terceirização de serviços – mas com o controle e a fiscalização mantidos pela administração direta. Inegavelmente, uma forma mais eficaz de gerenciamento.

Não é segredo para ninguém que a Dersa se tornou, ao longo dos anos, um gigante cabide de empregos para apadrinhados políticos. Mais que isso: se transformou numa constante fonte de escândalos. Ao contrário das épocas áureas, as notícias divulgadas na mídia sobre a companhia não trazem mais grandes feitos viários, mas enormes prejuízos ao erário.

Em especial à Baixada Santista, a mudança pode significar uma luz no fim do túnel. As travessias de balsas Santos-Guarujá e São Sebastião-Ilha Bela – conhecidas pelas filas intermináveis – passam a ser administradas pela Secretaria de Estado de Logística e Transportes, que providencia a terceirização do serviço. Como esperar modernidade de embarcações fabricadas nas décadas de 1950 e 1960 – ou seja, no período em que a empresa foi fundada – ainda hoje em atividade? Que venham uma gestão mais eficiente e equipamentos modernos. Mesmo porque seria difícil piorar o quadro atual.

Enquanto membro da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Alesp, meu papel, agora, é acompanhar de perto esse processo de implementação das mudanças no setor. Vamos verificar o andamento do serviço no primeiro momento e, se preciso, cobrar explicações e detalhes do Governo do Estado.

É uma atitude drástica dissolver uma empresa de meio século? Pode-se dizer que sim. Mas, quando se tem a estrutura corrompida, a eficiência questionada, as dívidas se acumulam e sua razão de ser foi perdida, é a hora de saber parar. E mudar.