O marinheiro William Bottolli afirma estar passando por condições precárias no navio em que trabalha (Reprodução/ Redes sociais) O marinheiro de máquinas William Bottolli, morador da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, denunciou estar vivendo em condições precárias a bordo de um navio estrangeiro que, desde segunda-feira (9), encontra-se na costa do Rio de Janeiro. Segundo ele, a tripulação enfrenta falta de água potável e racionamento de comida dentro da embarcação. A Marinha afirma que entrou em contato com o comandante, que negou qualquer problema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A dignidade humana está indo pelo ralo. A gente é tratado aqui igual um saco de lixo jogado no canto de uma parede, esquecido”, afirmou Bottolli, em vídeo publicado nesta terça-feira (10) nas redes sociais de sua esposa, Maíra Tashiro. Conforme o marinheiro, o caso aconteceu no navio Horizon Armonia, que partia de Manaus com direção ao Maranhão. Segundo o relato, houve uma mudança de rota da embarcação, que acabou sendo direcionada ao Rio de Janeiro. Neste momento, os tripulantes – inclusive outros brasileiros – teriam começado a racionar alimentos e água devido à falta de suprimentos suficientes. De acordo com Bottoli, a tripulação foi orientada a utilizar água do sistema do próprio navio caso a água potável acabasse. “Eu tenho 15 anos de marítimo e nunca tinha visto isso na minha vida, nem tinha passado por essa situação”, disse. Denúncia nas redes Após a divulgação do primeiro vídeo, o marinheiro afirmou que alguns itens começaram a aparecer no refeitório do navio. “Aquela vez não tinha café, mas, depois das denúncias, até azeite lacrado colocaram em cima da mesa”, afirmou, ressaltando que o abastecimento ainda era limitado. Segundo ele, o comandante da embarcação chegou a pedir que as publicações fossem retiradas das redes sociais. “Ele me chamou lá para conversar comigo sozinho, para eu passar tudo isso que está acontecendo. Então quer dizer, depois que você reclama, depois que você bate onde dói, é que o pessoal começa a se movimentar”, contou. Família pede ajuda Também nesta terça-feira (10) a esposa do marinheiro publicou vídeos nas redes sociais pedindo ajuda das autoridades brasileiras para que a situação seja investigada. Na publicação, ela relata que o casal tem um filho com transtorno do espectro autista (TEA) e que a família vive momentos de desespero diante da falta de informações e da situação. “Eu só quero meu marido em casa”, afirmou. Posicionamento A Tribuna entrou em contato com a Marinha do Brasil (MB), que, por meio de nota, informou que “não recebeu denúncia, pedido de socorro ou solicitação de apoio envolvendo a tripulação da embarcação citada”. Além disso, a Marinha afirmou ter realizado contato com o comandante da embarcação, que negou qualquer problema com a tripulação ou com o navio. A reportagem não conseguiu localizar a empresa responsável pela embarcação. O espaço segue aberto para manifestação.