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Sexta-feira

17 de Janeiro de 2020

Sem saber nadar, mãe pula em vala para salvar criança de afogamento em Mongaguá

Acidente aconteceu após menina de um ano cair em buraco de quase 2 metros na Avenida Atlântica

Uma moradora de Mongaguá precisou pular em uma vala para socorrer a filha de um ano, após a criança cair e quase se afogar na água suja com lama e esgoto. Com quase 2 metros de profundidade, o buraco é alvo de reclamações de moradores do bairro Atlântica após diversos quase afogamentos.

 Em entrevista para A Tribuna On-line, Carina Mercedes, mãe da pequena Allana Kassandra, de um ano e oito meses, explica que o acidente aconteceu na última sexta-feira (16), na Avenida Atlântica. A dona de casa estava conversando com uma vizinha, enquanto a menina e seu filho de dois anos e oito meses brincavam. Após um tempo, o menino passou a chamá-la aos gritos de “mamãe, a vala”, para mostrar que Allana havia caído na água.

“Cheguei a ver ela afundando e sumindo na água, foi aí que pulei para salvá-la. A vala é muito funda, tem quase dois metros de profundidade, e eu não sei nadar. Foi instinto materno”, relata Carina.

A mãe conta que, após retirar a filha da água, já desacordada, realizou manobras de primeiros socorros. Ao acordar, a criança vomitou “uma lama preta da vala”, que acabou ingerindo durante a queda. “Quando ela abriu o olho, vi que estava cheio daquelas larvas da fossa. Pedi ajuda para os vizinhos e consegui dar um banho, porque o cheiro estava muito forte, e a levar de carro ao hospital”.

A criança foi atendida no Hospital Municipal de Mongaguá, mas, segundo a mãe, o atendimento a desagradou. “O médico disse que não poderia fazer nada, e que eu teria que aguardar ela ter sintomas e piorar para voltar ao hospital. Também falou que só deixaria ela sob observação durante duas horas porque eu pedi”.

Uma das preocupações de Carina era de que a criança passasse mal, já que estava com a barriga dura quando foi levada ao hospital. Allana já teve meningite bacteriana e toma remédios controlados para convulsão, recebendo acompanhamento neurológico no Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Meu medo é que ela tenha uma crise enquanto estou dormindo. É um absurdo ela não ter recebido um atendimento melhor. Até hoje está botando para fora a lama preta”, desabafa.

Com água escura, vala tem quase dois metros de profundidade e já foi alvo de reclamações de moradores (Foto: Arquivo Pessoal)

Descaso

Morando em frente à vala, Carina explica que este não é o primeiro episódio similar ao de sua filha. Uma criança de cinco anos e um cachorro já caíram no local, que além da água da chuva, abriga fluídos de esgotos clandestinos. “Fazemos reclamações há dez anos para que a vala seja limpa. Se tivesse uma cerca ou uma mureta, poderia evitar acidentes como esse”, finaliza.

Esclarecimento

Em nota, a Prefeitura de Mongaguá explica que a vala da Avenida Atlântica, assim como todos os canais e valas abertas, são sistemas de captação das águas das chuvas, por este motivo, permanecem abertas. De acordo com a Diretoria de Serviços Externos, há limpezas periódicas no local.

Quanto ao atendimento no Hospital Municipal, considerando-se a conduta médica, a avaliação diagnóstica não acarretou internação, somente observação aproximada de duas horas. Não houve relatório negativo quanto ao estado de saúde da paciente. Na liberação, foi entregue para a mãe uma receita de medicação e ela foi orientada pela equipe de Enfermagem a retornar à unidade numa eventual alteração de quadro.

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