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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Médico remove 92 larvas de cabeça de morador de rua durante ‘dia da beleza’ em Peruíbe

Bernes e 'buracos na cabeça' foram descobertos durante corte de cabelo de paciente

Um atendimento humanizado foi responsável por salvar um morador de rua, em Peruíbe. Após ser resgatado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) e encaminhado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o paciente teve 92 larvas retiradas de sua cabeça e reencontrou sua família. 

Em entrevista para A Tribuna On-line, o médico Bruno Chehade Pereira - responsável por acolher o morador de rua, de 54 anos, trazido por um amigo guarda municipal - relata que descobriu a condição crítica de saúde do paciente, também chamado de Bruno, enquanto cortava seu cabelo. 

"Notei que ele estava todo emaranhado por causa do pus e piolhos. Quanto mais eu cortava, mais secreção aparecia. Quando raspei seu cabelo, notei que tinham vários orifícios de miíases, conhecidas como bernes, em sua cabeça", conta. 

Após ser surpreendido, o médico conta que a equipe começou o procedimento para retirar manualmente as 92 miíases, transmitidas pela mosca Dermatobia hominis, popularmente conhecida como varejeira. 

Para serem retiradas, o médico explica que é necessário realizar o sufocamento das larvas com éter ou vaselina, o que contribui para que saiam dos orifícios. Devido ao estado crítico, o paciente precisou ser internado posteriormente para que recebesse a medicação e saísse da unidade sem o problema de saúde. 

Chehade esclarece que a infestação de larvas pode causar uma infecção generalizada porque "ela vai comendo o corpo todo".  Também conhecida como bicheira, a doença é contraída quando a mosca deposita seus ovos em orifícios como cavidade oral, órgãos genitais e até mesmo em feridas na pele. 

Chamado de Bruno, paciente de 54 anos retornou ao lar após passar por atendimento em UPA da cidade (Foto: Arquivo Pessoal)

  

Humanização 

A descoberta da doença só foi possível devido ao atendimento humanizado prestado pelo médico, que deve sempre respeitar a vontade do paciente em situação de rua, já que chegam ‘fragilizados e assustados ao hospital’. 

"Temos que deixar que o morador de rua decida o que deve ser feito e nunca impormos o tratamento. Perguntei se estava com fome e ele respondeu que sim e foi alimentado. Em seguida perguntei se ele queria tomar um banho e ele aceitou. ". 

Chehade relata que o paciente "chegou a dormir em seus braços, enquanto cortava seu cabelo". O morador de rua já é conhecido pelos médicos, pois precisou ser acolhido ao chegar à UPA com um grau de hipotermia durante o inverno.  

Após o tratamento, os guardas municipais perguntaram se a família do paciente poderia ser contatada. Após a alta, ele voltou para casa com os familiares.  

Atendimento humanizado com moradores de rua consiste em respeitar as vontades do paciente (Foto: Arquivo pessoal)   

 

 

Atendimento especial   

A atenção de Bruno Chehade Pereira já é conhecida na cidade e viralizou nas redes sociais. Em 2018, ele recebeu um paciente encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que estava em quadro de surto psiquiátrico. Mas ao conversar com o paciente, ele explica que o homem estava atordoado por estar com fome. 

O 'dia da beleza' foi realizado em troca de duas marmitas e o morador de rua deixou a unidade com barba e cabelos feitos.  

Morador de rua chegou em estado de 'surto' causado por fome (Foto: Arquivo pessoal)

 

  

 

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