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Sexta-feira

19 de Abril de 2019

Irmãos de Itanhaém vão representar o Brasil em maior competição de break dance da Europa

Disputa pelo título na modalidade Kids de break dance será realizada em Portugal no fim deste mês. B-Boy e B-Girl tentam arrecadar verba para ajudar no custeio da viagem

Os dançarinos Yeshua Rebelo, o B-Boy Eagle, de 12 anos, e Chaya Gabor, a B-Girl Angel, de oito, embarcam no fim deste mês para Portugal, onde irão representar o Brasil na Porto World Battle - maior competição de dança de rua da Europa.
 
Moradores de Itanhaém, os irmãos representarão o País na categoria Kids. Com vaga garantida na semifinal, eles entrarão em ação no próximo dia 29, em  Braga - a final do torneio está marcada para o início de maio. A convocação foi feita por profissionais que observaram o desempenho dos irmãos durante as competições nacionais.
 
“Ficamos muito felizes! Eles se dedicam bastante, com sobriedade e profissionalismo, sem descuidar do estudo, claro. Posso dizer que estão aproveitando cada oportunidade que aparece para mostrar a arte por meio da dança”, afirma a mãe das criança, Luciana Mazza Rebello.  
Irmãos vão disputar categoria Kids do Port World Battle na categoria Kids (Foto/Arquivo Pessoal) 
 
Os dançarinos se enfrentam em batalhas - dançar um contra o outro-, e entre os critérios serão avaliados musicalidade, técnica e execução dos movimentos principais. “O dançarino não pode perder a musicalidade, o ritmo, muito menos cair, nem tocar na outra pessoa que dança”, explica Luciana. Para ela, a participação das crianças e até uma possível colocação na competição internacional pode ser motivo de conquista não apenas para a família, mas para a aprovação do break como modalidade olímpica no Brasil.
 
“O Comitê Olímpico indicou o break como uma modalidade e a indicação está sendo analisada para os Jogos Olímpicos de 2024, na França. Pensando na possibilidade, as crianças estão trabalhando para competirem nos Jogos. Existe esse sonho por parte delas”, relata.
Apresentação do B-Boy Eagle (Foto: Arquivo Pessoal)
 
Ela ainda diz que sua filha, a B-Girl Angel sempre pergunta: “Mãe, será que um dia eu que danço na rua vou colocar uma medalha olímpica no pescoço?”. Segundo relato de Luciana, muitas personalidades do break são contra a inserção da modalidade nas Olimpíadas por achar que a arte vai perder a essência das ruas, mas ela acha que isso “só vem a somar para os dançarinos que vem batalhando por um espaço”.
 
Os irmãos já são destaque no mundo do break dance. No final de março, a B-girl fez história: Foi a primeira criança a ficar entre os três finalistas, de 72 participantes, do Prêmio Sabotage, criado em 2008 pela Câmara Municipal de São Paulo.
 
“Ela chegou a final competindo com adultos e essa competição é considerada a maior premiação da cultura Hip Hop no país.  Então foi uma vitória bem significativa. Ela arrancou elogios das pessoas. O mais legal foi ver os que já tem mais tempo de dança reparando nela. É o reconhecimento da nova geração”, comemora a mãe.
Legenda: B-Gril Angel/Arquivo Pessoal
 
Ajuda
 
A primeira viagem internacional das crianças para participar da competição mundial exige gastos. De acordo com a mãe dos dançarinos, a seleção apenas garante a vaga, o custeio com passagens e estadia é por parte dos responsáveis. Por este motivo, eles abriram uma "vakinha online" para conseguir recursos.
 
"Como são duas crianças o gasto é maior. Nós não temos patrocinador nem incentivo cultural. Recebemos ajuda de pessoas que conhecem, comerciantes locais, mas não é o suficiente. Então pedimos ajuda das empresas e pessoas que tem condições e apostam no futuro deles", declara. 
 
Os interessados em doar e conhecer mais sobre a trajetória dos irmãos podem acessar o site
 
Histórico 

Os dançarinos iniciaram no break dance bem pequenos. O B-Boy Eagle e  B-Girl Angel tinham seis e três anos, respectivamente. Tudo começou por meio de uma aula experimental e culminou no gosto dos dois pela arte. A mãe relembra que o break atuou como "cura" na vida da garota. Ela nasceu prematura, com 850 gramas, passou 90 dias na UTI e teve duas paradas respiratórias. Depois dos tempos difíceis, teve que conviver com a asma. Por indicação médica, tinha que fazer natação, porém não gostava. 
 
"Ela não gostava mesmo de nadar e perguntei pro doutor se poderia ser outro esporte. Ele disse que qualquer atividade física ajudaria. Ela ficou encantada com a aula experimental e seguiu carreira. Hoje a asma não se manifesta e ela tem fôlego para fazer os movimentos. Vejo o break como uma cura", testemunha. 
B-Boy Eagle e B-Girl Angel embarcam no fim deste mês para Portugal (Foto: Arquivo Pessoal)
Atualmente os dois são treinados pelo B Boy Dunda do Grupo Breaking Combate. A participação em competições veio depois, quando o talento das crianças já era notório. Desde então, já participaram de diversas disputas, incluindo as melhores do país como Rival vs Rival, Master Crew, Breaking Combate, Quando as Ruas Chamam, em Brasília e World B-Boy Classic.