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Sábado

29 de Fevereiro de 2020

Filhote de golfinho é visto à deriva e é resgatado pela mãe na Ilha do Cardoso; vídeo

Flagrante foi feito por monitora ambiental que trabalhava na região

Um filhote de golfinho foi visto boiando no mar nesta quinta-feira (13), na Ilha do Cardoso, região próxima ao município de Cananéia, no Litoral Sul. Uma monitora ambiental que estava no local conta que sua equipe tentou se aproximar do animal, quando a mãe do filhote apareceu e o levou para o fundo do mar. A ação dos animais foi filmada.

Segundo a autora do vídeo, a monitora ambiental Camila Costa, de 37 anos, a equipe navegava no barco do PEIC, rumo a Ilha do Cardoso quando o filhote foi visto. “No meio da travessia da Baía dos Golfinhos, avistamos um filhote de boto sotalia guianensis possivelmente morto. Demos a volta para ver melhor e, se fosse o caso, recolher o bichinho e encaminhar para o Instituto de Pesquisa de Cananéia, o Ipec”.

Quando tentaram se aproximar para prestar ajuda ao animal, a mãe do filhote apareceu. “Vimos um boto adulto surgir próximo, então comecei a filmar -  só o meu celular tinha bateria e espaço, daí vimos essa cena. Nós nunca vimos nada igual, e o boto não voltou mais a superfície para que tivéssemos mais dados ou encaminhamento para um especialista”, relata a monitora.

Camila afirma que a equipe pensou que o animal estivesse morto, já que estava com um machucado no bico e estava boiando. “A impressão que dava era de um animal morto, porém eu não posso ter certeza”.

“Um especialista comentou em um post do meu Facebook que, em cetáceos, há um comportamento de cuidado ao próximo chamado tecnicamente como ‘comportamento epimelético’, que geralmente é exibido por uma mãe que tenta manter seu filhote morto ou enfermo na superfície da água para poder respirar”, conta.

Instinto de proteção

A pesquisadora do projeto Boto-Cinza, do Instituto de Pesquisas de Cananéia, Daniela Ferro de Godoy, conta que o comportamento é uma espécie de luto. “O filhote de boto do vídeo estava morto. O indivíduo que leva o filhote para o fundo muito provavelmente era a mãe. Quando os filhotes estão vivos, as mães sempre estão cuidando, ensinando a pescar, ou afastando de perigos como as margens das praias para não encalharem em barcos por exemplo, é o que chamamos de cuidado parental”.

A especialista em cetáceos ainda conta que a mãe afunda o filhote a fim de afastá-lo da embarcação. “É o instinto de proteção. O comportamento epimelético pode durar minutos, horas e até dias, como já foi descrito na literatura científica”, finaliza.

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