[[legacy_image_348615]] Moradores do Conjunto Habitacional Wilson Sório, no bairro Santo Antônio, em Guarujá, estão apavorados com o risco de um grave acidente ocorrer. Eles temem que as obras de construção de um canal na Avenida das Acácias para evitar alagamentos na região que estão sendo realizadas no terreno ao lado, provoquem a queda de muros e prédios. Isso porque, segundo eles, desde que o serviço teve início, uma série de rachaduras começaram a aparecer nos imóveis. Por outro lado, a Prefeitura afirma que não há riscos e relaciona o problema à infraestrutura dos prédios, que é antiga. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No empreendimento existem 314 apartamentos, divididos em 20 blocos. De tempos em tempos, equipes da Defesa Civil e engenheiros têm frequentado o local para fazer vistorias. Uma assistente social da Prefeitura também esteve no conjunto habitacional para conversar com os moradores, mas em nenhum momento foi mencionada a necessidade de remoção deles. Segundo uma das moradoras, que não quis se identificar, um engenheiro da Prefeitura afirmou que o problema das rachaduras não foi motivado pela obra que está sendo feita no terreno ao lado, que é de mangue. Segundo o profissional, os defeitos estão ligados ao fato de o conjunto habitacional ser uma construção antiga. “Acho uma coincidência incrível ver eles com um bate-estaca e tratores, esburacando toda a área que era de mangue, e depois que fizeram isso começou a ceder tudo. Treme muito aqui.” No apartamento de outra moradora, os azulejos da cozinha estão caindo e apresentam fendas com mais de um centímetro. “Qualquer um sabe que, quando as paredes começam a estalar, é preciso sair de casa. Mas a Prefeitura assegura que está tudo certo”. (confira o vídeo abaixo) A analista de contabilidade Lilian Schitino da Silva mora com a filha no segundo andar de um dos blocos afetados. Segundo ela, os estragos aumentam a cada dia. “Tem uma fenda na minha porta para a escada que, em menos de meia semana, aumentou meio centímetro. E você escuta estalos e tudo e eles não querem se responsabilizar por nada. Eles querem responsabilizar a CDHU, mas o que ela tem a ver com a obra daqui de baixo?”, questiona. Apesar disso, a Prefeitura de Guarujá afirma que problemas com a infraestrutura do conjunto habitacional foram identificados antes, através de vistorias antes do início das obras. "Foram detectadas patologias estruturais anteriores ao início das obras. Ainda assim, diante da preocupação dos moradores, equipes da Secretaria de Infraestrutura e Obras (Seinfra) e da empresa responsável pelas obras, têm ido constantemente no local, onde já foram realizadas quatro reuniões para esclarecer dúvidas da população.” [[legacy_image_348616]] Conforme Lilian Schitino, as obras tiveram início há cerca de dois anos, mas pararam por um longo período. “Em 2022, quando tudo começou, chamamos eles, mas disseram que não havia perigo. “Agora, quando eles voltaram com as obras, a massa corrida do teto do corredor rachou e alguns pisos da minha casa soltaram. Mas a gente se preocupa porque balança muito, há rachaduras. Do lado de fora já tem uma fenda que passa um dedo. A gente tem medo de o prédio cair mesmo. É um risco”, conta. Outro problema é em relação ao horário de trabalho dos operários. “Vários dias da semana eles começam cedo e passam das 22h trabalhando com os tratores, além de finais de semana. É o tempo todo com a casa tremendo.” Em relação ao horário de trabalho, a Prefeitura de Guarujá explicou que não existem restrições nos horários. “Leva-se em conta o ruído e o horário de conforto aos moradores do entorno, lembrando que, em ocasiões especiais, a obra pode ser feita em horários noturnos mediante as atividades locais.” A Reportagem procurou o Governo de São Paulo para se manifestar sobre a alegação da Prefeitura de Guarujá de que a infraestrutura do Conjunto Habitacional Wilson Sório já apresentava problemas estruturais antes do início das obras. A unidade foi construída por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na década de 1990. Em nota, a CDHU diz que o conjunto recebeu obras de recuperação e revitalização entre 2013 e 2016, "não sendo verificado, à época, nada que colocasse em risco a segurança dos prédios do conjunto". A companhia estadual ressaltou que uma equipe será deslocada para realizar vistoria técnica no local.