O projeto-piloto contempla 12 municípios brasileiros, entre eles São Paulo, Cubatão, Campinas, São José dos Campos, Campo Grande e Registro (Divulgação/Prefeitura de Registro) As bromélias, conhecidas pela beleza e presença marcante na Mata Atlântica, ganharam uma nova função: ajudar cientistas a medir os níveis de poluição nas cidades brasileiras. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) utiliza a planta como biomonitor natural para analisar a qualidade do ar em diferentes regiões do país. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa faz parte de um projeto nacional voltado ao monitoramento ambiental urbano e reúne dados que poderão contribuir para políticas públicas ligadas à arborização, mobilidade e saúde ambiental. Como as bromélias conseguem medir a poluição? Diferente de outras plantas, as bromélias absorvem água e nutrientes diretamente do ar por meio das folhas. Por conta dessa característica, elas também acumulam partículas presentes na atmosfera, incluindo metais pesados e resíduos provenientes da poluição causada por veículos, indústrias e queimadas. Na prática, os pesquisadores distribuem bromélias em pontos estratégicos das cidades e, depois de um período de exposição, analisam o material acumulado nas plantas em laboratório. Assim, é possível identificar quais regiões apresentam maior concentração de poluentes. Segundo os cientistas, o método é considerado eficiente porque permite avaliar a qualidade do ar de maneira contínua e com custo mais baixo do que equipamentos tradicionais de monitoramento. Como funciona a metodologia? As bromélias ficam expostas por 85 dias. Nesse período, elas absorvem o ar da cidade, acumulam partículas e substâncias químicas do ambiente. Após o prazo, as amostras são levadas para análise no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (CEPMA) da USP, onde serão analisados o nível de poluição de cada região. O estudo segue uma diretriz internacional de planejamento urbano. Trata-se da regra 3:30:300, que é o cenário considerado ideal para uma vida saudável na cidade: 3 árvores para cada residência; 30% de cobertura vegetal em cada bairro; 300 metros é a distância ideal que qualquer morador deve percorrer para ir até um parque ou área verde. Pesquisa acontece em diferentes cidades do Brasil O projeto-piloto contempla 12 municípios brasileiros, entre eles São Paulo, Cubatão, Campinas, São José dos Campos, Campo Grande e Registro. Em cada cidade, os pesquisadores selecionam áreas com diferentes níveis de arborização e circulação urbana para comparar os resultados. Além de analisar a poluição atmosférica, o estudo também busca entender como a presença de árvores influencia o conforto térmico e a qualidade ambiental dos bairros. A iniciativa integra ações ligadas ao Plano Nacional de Arborização Urbana (Planau), programa que prevê ampliação das áreas verdes nas cidades brasileiras até 2045. Poluição do ar preocupa especialistas O estudo ganha ainda mais importância diante do aumento dos índices de poluição registrados no país. Relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente apontou que diversos poluentes atmosféricos ultrapassam frequentemente os limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os principais problemas apontados estão a concentração de material particulado, ozônio e dióxido de enxofre, substâncias associadas ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Especialistas destacam que o uso de biomonitoramento com plantas pode ampliar o acesso a informações ambientais e ajudar gestores públicos a identificar áreas críticas dentro dos centros urbanos. Muito além da decoração Além do papel ornamental, as bromélias têm sido cada vez mais estudadas pela ciência por sua importância ecológica. Pesquisas recentes também apontam que essas plantas ajudam na conservação da biodiversidade e contribuem para o equilíbrio dos ecossistemas da Mata Atlântica.