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Segunda-feira

14 de Outubro de 2019

'Estou ciente que posso ser expulsa', diz Rosana Valle após voto a favor da reforma da Previdência

Deputada federal, eleita pela Baixada Santista, foi contra orientação do PSB; parlamentar diz que fez 'o que precisava ser feito'

A deputada federal Rosana Valle (PSB-SP) foi um dos 379 votos favoráreis a aprovação, em primeiro turno, do texto-base da reforma da Previdência na Câmara Federal. Com o posicionamento contrário a sua legenda, agora a parlamentar pode sofrer punições e até ser expulsa do partido.

Antes da votação, o líder do PSB na Casa, deputado Tadeu Alencar (PE) já havia passado a orientação contrária dos socialistas à proposta do governo de Jair Bolsonaro. O presidente do partido, Carlos Siqueira, está disposto a manter o posicionamento de excluir dos quadros da sigla aqueles que, na sua visão, traíram o partido. 

Ciente dos riscos, a parlamentar demonstrou tranquilidade e disse que "fez o que precisava ser feito". "Estou ciente que posso sofrer punições e ser expulsa, mas sei que fiz o que precisava ser feito, o que considerei ser correto e a vontade do meu eleitorado. A coragem e a firmeza sempre me acompanharam", comentou Rosana.

"Respeito as posições do partido, mas não posso votar contra meus ideais e consciência", emendou a pessebista.

Além da deputada, outros 10 membros do PSB também votaram a favor da reforma da Previdência: Átila Lira (PI), Emidinho Madeira (MG), Felipe Carreras (PE), Felipe Rigoni (ES), Jefferson Campos (SP), Liziane Bayer (RS), Luiz Flávio Gomes (SP), Rodrigo Agostinho (SP), Rodrigo Coelho (SC) e Ted Conti (ES).

De acordo com a pessebista, a reforma não é perfeita, mas necessária. "Se nada for feito, num futuro próximo, o governo e a sociedade não terão dinheiro para pagar os aposentados. Precisamos gerar empregos, atrair investimentos e fazer com que mais pessoas contribuam", disse Rosana Valle.

Agora, a deputada federal defende que é preciso focar em outras pautas reformistas, como a tributária e a política. "Ninguém gosta de reformas pois direitos serão revistos. Só que para um direito existir, é preciso que existam condições de garantir este direito", concluiu a parlamentar.

Votação

A proposta da Nova Previdência, por alterar a Constituição, precisava de 308 votos na Câmara dos Deputados, o que corresponde a 60% da Casa. Dos 513 parlamentares, 510 estiveram presentes para a votação. Com 379 votos favoráveis e 131 contrários. O placar superou com folga o mínimo exigido.

Se aprovado em segundo turno, o texto segue para análise do Senado, onde também deve ser apreciado em dois turnos e depende da aprovação de, pelo menos, 49 senadores.