A toalha demora para secar? Está sentindo mais frio do que o termômetro indica? A rinite está mais frequente? Há explicação: a Baixada Santista passa por um período superúmido, com umidade relativa do ar acima de 80% todos os dias deste mês. O máximo considerado saudável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 70%, enquanto o ideal é de 40% a 60%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A meteorologista Josélia Pegorim, do Instituto Climatempo, explica que, em áreas litorâneas, a umidade no ar é naturalmente mais alta do que no Interior. Junho foi atípico: mais seco, porque “um longo bloqueio atmosférico dificultou a passagem de frentes frias pela costa paulista. (...). Na primeira quinzena de julho, sem bloqueio, tivemos muitos dias com ar polar no Litoral de São Paulo, o que resultou em baixas temperaturas e formação de muitas nuvens”, informa. O diretor científico da organização não governamental (ONG) Amigos da Água, Rodolfo Bonafim, aponta que o cenário demonstra mudança climática na região. Especialista em Climatologia, Astronomia e Geologia Ambiental, Bonafim entende que “o que é de estranhar é a quantidade de dias consecutivos — praticamente, quase 15 dias — com umidade relativa do ar entre 70% e 95%”. “A gente tem uma estação meteorológica há mais de 20 anos monitorando as condições de tempo da Baixada Santista, e temos observado que, de uns 15 anos para cá, tem uma maior quantidade de dias com névoa e neblina”, compara. “Possivelmente pelo excesso de queimadas no Centro-Oeste (...). O ar quente vem sendo alterado e produzido em maior quantidade, e acaba fazendo um tipo de muro. Quando vem a frente fria, deixa a umidade normal, só que ela não consegue sair. Fica represada, presa entre o mar e a serra.” A meteorologista Heloísa Pereira, da Ampere Consultoria, vê outro fenômeno estimulador do longo período de umidade. “Tivemos a passagem de sistema frontal e, depois, alta pressão jogando umidade contra a costa. Esse cenário manteve grande quantidade de nuvens e alta umidade.” “O Litoral de São Paulo apresenta uma climatologia de chuva bem baixa em agosto, inferior aos 60 milímetros (mm). Porém, este ano, com o aquecimento do Oceano Atlântico adjacente, a perspectiva é de chuva acima da média, e isso deve dificultar a persistência de dias mais secos nas áreas do leste paulista. Já em setembro, o padrão pode mudar um pouco, pois os modelos de previsão indicam chuvas abaixo da normalidade e temperaturas acima”, informa. Alerta para a saúde O médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, infectologista e professor do curso de Medicina da Unaerp Guarujá, Leonardo Weissmann, alerta que a umidade elevada pode facilitar o surgimento de problemas respiratórios e de pele. "Esse ambiente propício ao crescimento de fungos, ácaros e bactérias pode desencadear ou agravar condições como rinite alérgica, asma, bronquite, e infecções por fungos. Além disso, a sensação de desconforto pode aumentar, levando à fadiga e ao mal-estar geral", aponta. Doenças respiratórias, como asma, rinite alérgica, e bronquite, tendem a piorar com a umidade constante e deixam o ambiente mais propenso à proliferação de infecções por fungos, como micoses e candidíase. Dermatites e eczemas, podem ser agravados, pois a pele fica mais suscetível a irritações e infecções. Weissmann ressalta que é necessário consultar um especialista se surgirem sintomas persistentes ou graves, como dificuldade respiratória, chiado no peito, tosse crônica, irritação ocular intensa, erupções cutâneas, ou qualquer outra manifestação que não melhore com cuidados simples. O médico recomenda manter os ambientes bem ventilados e secos, usar desumidificadores e evitar o acúmulo de água parada, que pode servir como foco de proliferação de fungos e ácaros. Manter boa higiene pessoal, secar bem a pele após o banho, usar roupas de algodão, “beber bastante água e manter uma alimentação saudável, para fortalecer o sistema imunológico” são outras orientações.