A visita inesperada da cobra jararaca ocorreu em uma residência em Bertioga, no litoral de São Paulo (Arquivo pessoal) A maior jararaca do Brasil, conhecida popularmente como jararacuçu ou cobra grande, apareceu no quintal de uma casa na região de Caiubira, em Bertioga, no litoral de São Paulo, neste domingo (9). A visita inesperada da serpente ocorreu na residência do supervisor comercial Mauro de Oliveira Matos, que foi ‘alertado’ por sua cadela ao perceber algo estranho no viveiro de sua calopsita. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com a suposição de que fosse apenas uma folhagem balançando devido à ventania que ocorreu durante a madrugada na Baixada Santista, Mauro decidiu verificar pelas câmeras de segurança e, ao dar zoom, viu a cobra. “Rapidamente, acordei a pessoa que mora comigo e corremos para tirar as cachorras do quintal, pois ficam presas durante a noite”, comenta. O supervisor comercial tentou acionar um órgão específico, mas não obteve retorno. Em seguida, conseguiu contato com o Corpo de Bombeiros, que chegou rapidamente à sua casa e realizou o resgate da jararaca. “Agora, estou estudando as formas de repelir e não voltar a aparecer cobra novamente, porque entendi o perigo que corremos”. -Maior cobra jararaca em Bertioga (1.488125) Quais cuidados tomar com a jararaca? A espécie Bothrops jararacussu, conhecida popularmente como jararacuçu, termo de origem tupi que significa cobra grande, é a maior entre as jararacas, podendo atingir até 2 metros de comprimento, com registros de exemplares chegando a 2,20 metros. Assim, trata-se da maior serpente peçonhenta da região do litoral de São Paulo e da segunda maior do Brasil, como explica o biólogo Ricardo Samelo. “Das cidades da região, Bertioga é a que apresenta a maior área de Mata Atlântica ainda preservada, e esse é o lar dessa serpente. Então, encontros como esse podem ser relativamente comuns e, conforme os animais perdem área natural através do desmatamento, esses encontros se tornam mais frequentes, pois passam a ‘patrulhar’ ambientes à procura de alimento e parceiros para reprodução”. Segundo Samelo, neste caso específicio, ao observar as imagens, é posisvel perceber bastante área verde ao redor da propriedade, tornando o ambiente mais propício para o aparecimento de cobras. Após adentrar a residência, a jararaca pode ter demonstrado interesse pelos pássaros do viveiro no quintal do morador. O biólogo ainda pontua que a primavera e o verão, por serem estações quentes, figuram como o período de maior atividade das cobras, pois são épocas reprodutivas e nas quais há procura ativa por alimento, já que são animais ectotérmicos (popularmente conhecidos como de ‘sangue frio’), ou seja, dependem da temperatura do ambiente para regular o próprio corpo. Assim sendo, em estações quentes, os répteis tendem a estar mais ativos. “Ao encontrar serpentes em residências, as pessoas devem evitar aproximação, e chamar imediatamente serviço especializado (bombeiro, polícia ambiental) ou outro órgão que realize a captura, deixando crianças e animais domésticos longe do perigo até a chegada de pessoal especializado”, alerta. Importância na natureza Além disso, Ricardo Samelo reforça a importância de lembrar que matar qualquer animal silvestre constitui crime ambiental, sujeito às sanções previstas em lei. “Apesar de perigosas, serpentes peçonhentas são muito importantes para os ecossistemas que habitam, e muitas delas são objetos de pesquisa, pois sua peçonha pode conter princípios ativos para a formulação de medicamentos”. Uma 'prima' da jararacuçu, a Bothrops jararaca — também encontrada na região — contribuiu com componentes de sua peçonha para o desenvolvimento do captopril, medicamento utilizado no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca, conforme esclarece Ricardo Samelo.