Santos e a dragagem portuária

Com o assoreamento, o cais santista deve ser dragado constantemente (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Parte essencial de um complexo portuário, os acessos aquaviários demandam manutenção para conservar a profundidade e a largura da área utilizada para navegação, afetadas devido ao depósito de sedimentos em seu leito, o que tradicionalmente ocorre. Esse processo de retirada de sedimentos, escavação e derrocamento (extração de rochas) do leito e das encostas de mares, rios, lagoas e canais é denominado dragagem.

Por estar localizado em um estuário, onde deságuam vários rios (transportando sedimentos), o Porto de Santos sofre um assoreamento constante. Para retirar o material que se acumula no canal, deve ser dragado com frequência.

Em média, 6,6 milhões de metros cúbicos de lama devem ser extraídos do estuário por ano, de modo a manter sua profundidade em 15 metros, segundo estudos da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária.

Esse serviço é realizado tanto no canal de navegação (o trecho central do estuário, por onde passam os navios) como nas bacias de evolução (áreas localizadas ao lado do canal e onde as embarcações manobram para atracar ou desatracar) e nos berços (os locais de atracação rente ao cais, onde os cargueiros permanecem para o embarque ou o desembarque de cargas).

Em Santos, a dragagem dos berços é feita pela empresa brasileira Dratec, enquanto os trabalhos nas bacias de evolução e no canal são uma responsabilidade da Dragabras, firma nacional controlada pelo grupo belga Deme. 

Manter a profundidade de seus acessos aquaviários é estratégico para um porto, uma vez que, quanto mais profundo o canal, mais o navio pode utilizar sua capacidade de carga, otimizando custos da viagem. Se o assoreamento não é controlado, há uma menor profundidade e o cargueiro, por uma questão de segurança, passa a transitar com um limite de calado (a profundidade que pode atingir). 

Segundo dados do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), nos navios de contêineres, a cada um centímetro de redução de calado, deixa-se de carregar de sete a oito contêineres. Em embarcações graneleiras, a cada um centímetro a menos no calado, deixam de ser embarcadas 100 toneladas.

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