Artistas visuais se unem e criam espaços em Santos

Em duplas, trios ou coletivos, designers, gravadores e escultores transformam casas antigas em ateliês

La Casita é comandado por Gabriel Montenegro e Nice Lopes (Alberto Marques/A Tribuna)

Eles poderiam desenvolver sua arte de maneira solitária, num cômodo ou quintal de casa, mas escolheram se unir a outros artistas em espaços independentes para trabalhar e propagar suas obras. Juntos, transformaram antigas casas, situadas em regiões descentralizadas e até desvalorizadas de Santos, em ateliês abertos ao público. Resumo: levam arte para lugares desprovidos de opções culturais.

Em outubro de 2016, a Vila Mathias ganhou dois ateliês: La Casita, dos artistas Gabriel Montenegro e Nice Lopes, e Gravurar – Espaço de Artes Gráficas, de Márcia Santtos, Lídice Moura e Joyce Farias.

Situada num casarão de dois andares, atrás da Unip, La Casita (que no espanhol quer dizer a casinha) funciona como residência do casal Gabriel e Nine e espaço de criação, exposição e oficinas. Após reformas, foi inaugurada em 22 de outubro, com festa de lançamento de um livro de Nice e mostra dos trabalhos da dupla. “Nós chamamos aqui de casa-ateliê”, diz Nice, que deixou o badalado bairro do Gonzaga para alugar a casa na Vila Mathias, numa rua com poucas residências. “Gabriel e eu dividíamos um apartamento de um dormitório. Não tínhamos espaço para trabalhar”. 

Gabriel faz bonecos em papel marchê, luminárias, pinturas com retícula e serigrafia. Ele conheceu Nice em São Paulo e trocou a Capital por Santos,há cerca de três anos.

Nice é ilustradora, autora de livro infantil e artista plástica. Suas pinturas pop surrealistas em tinta acrílica estão espalhadas na sala principal da casa, junto às obras de Gabriel. 

No domingo (dia 26), o espaço inaugurou exposição de caricaturas de Tarso Ramos. Fica na Rua Dr. Antônio Bento, 13 (atrás da Unip), na Vila Mathias. Informações no Facebook: La Casita Ateliê.

Gravurando

Márcia Santtos ergueu seu ateliê de gravura sobre as ruínas de casa (Alberto Marques/A Tribuna)

Numa rua sem saída, perto do Mercado Municipal, de cortiços, borracharias e ruínas da Hospedaria dos Imigrantes, na Vila Mathias, Márcia Santtos ergueu uma casa onde instalou a placa Gravurar (transformando em verbo o seu trabalho de quase quatro décadas) e pintou um poste torto com a imagem da Torre de Pisa. 

Juntaram-se a ela Joyce Farias (aquarela) e Lídice Moura (desenho). Ali, são ministradas oficinas de arte sobre papel, um espaço para exposição e uma pequena loja. “Depois de dois anos morando com minha mãe, no Marapé, eu precisava de um espaço só meu para criar”, conta Márcia, que inaugurou o Gravurar em 29 de outubro. “Ao conviver com este bairro e seus moradores, vi o quanto o lugar é seguro e amoroso. De perto, aprendemos a desmitificaras coisas”, diz. 

Até 28 de abril, o espaço abriga a exposição Diálogos de Ateliê, com trabalhos de dois artistas gravadores de SãoPaulo: Luiz Carlos Officina e Alessandra Bufe Baruque. Endereço: Rua Anhanguera, 18, Vila Mathias. Informações na página do Facebook: Gravurar.

O mais antigo

João Romualdo e Simone Campos em um dos cômodos do Atelier 44 (Alberto Marques/A Tribuna)

Chico Melo e Valério da Luz são os tutores, há 30 anos, da Oficina Atelier 44. Trata-se de um dos mais antigos coletivos de arte do Litoral Paulista, pelo qual já passaram vários criadores.

Atualmente, sete artistas ocupam as dependências de uma casa no Boqueirão, com criações em diversas técnicas:da encadernação à tatuagem.

As obras são mostradas de tempos em tempos, em saraus e festas na casa. “Aqui é um  grande laboratório, com uma galeria de arte”, explica Valério. “Não vemos diferença entre artes plásticas e artesanato. O que fazemos tem a ver com artesania”, ressalta Chico. 

As mais novas artistas-residentes são Beth e Camila, mãe e filha, da marca de turbantes e acessórios artesanais Cafusa.“Aqui ganhamos foco para trabalhar”, diz Camila. Outra dupla que divide o espaço e a criatividade é a pintora, desenhista e encadernadora artesanal Simone Campos e o músico e colecionador de discos em vinil João Romualdo, que fundaram a marca Conceito Arte 2, na qual fazem e vendem mandalas, bloquinhos e cadernos com capas artísticas e com ídolos da música e imãs de geladeira descolados, além de discos raros. Fica na Rua Liberdade, 44, Boqueirão. Mais na página da Oficina Atelier 44 no Facebook.

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