Marapé alia tradição a modernidade em Santos

Edifícios surgem em meio a antigas construções e lembranças

Bairro de muitas tradições, o Marapé se tornou, nos últimos anos, uma espécie de menina dos olhos do setor da construção civil, com diversos empreendimentos imobiliários, especialmente grandes torres e casas sobrepostas, surgindo em meio a chalés característicos que resistem ao tempo.

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Com mais de 20 mil moradores, o bairro ganhou várias torres com mais de dez andares e atraiu empresas diversificadas. A Avenida Moura Ribeiro se tornar uma via de ar comercial.

E é nesse Marapé de raiz cercado de novidades onde vive o portuário aposentado Sérgio Serra Schiff, de 74 anos. Ele se mudou há sete anos para um prédio de três andares e tem um chalé com um quintal repleto de árvores como vizinho.

O técnico em eletricidade Luiz Gomes de Aveiro, 56 anos, chegou em 1975, aos 11 anos, quando poucas ruas eram asfaltadas e a diversão da meninada era jogar bola na rua e caçar rãs.

Atualmente, para ele, falta apenas um shopping para o bairro estar completo. “Tem tudo aqui. Com um shopping, não preciso sair para mais nada”, brinca.

A artesã Alexandra Gomes de Carvalho, de 48 anos, gostaria que a Prefeitura instalasse uma academia ao ar livre e uma quadra para os jovens poderem praticar esportes.

“Gosto do bairro, mas acho que falta espaço para esporte e lazer. E também precisavam rever o trânsito na Rua Godofredo Fraga. A via é de mão dupla, tem estacionamento dos dois lados. Está complicado passar ali.”

A Prefeitura informa que, entre os locais para lazer que têm playground, estão a Praça Cândido Portinari e o recanto da Rua Alberto Veiga. Quanto à Godofredo Fraga, estuda-se proibir o estacionamento nessa rua em horários de pico.

Morro

O Morro do Marapé contorna o bairro e a vida de José Roberto da Costa, de 73 anos. Mais conhecido como Zé do Cartório, por ter sido escrevente, ele nasceu e cresceu no morro. Ainda se lembra da infância ao abrir a janela da sala. Ele vive há 40 anos em uma casa no Canal 1, de onde revive o passado.

Na lembrança, também estão momentos trágicos, como o temporal em 1º de março de 1956, quando parte da encosta do morro desmoronou. “Tinha 9 anos, mas fui ajudar. Vi muitos corpos retirados de lá.”

Para Zé do Cartório, apesar da modernidade, não há lugar melhor em Santos. “Amo demais o Marapé. Conheço todo mundo. Brincam comigo, me perguntado se não vou me candidatar a vereador.” 

Destaques

A alegria também não falta com rodas de samba e escolas tradicionais no Caranaval santista, como União Imperial e Real Mocidade. 

O local também é marcado por recordes: a Memorial Necrópole Ecumênica é reconhecida pelo Livro dos Recordes como o mais alto cemitério vertical do mundo.

Há, ainda, o maior reservatório de água potável da América Latina, o Santa Tereza-Voturuá, que abastece quatro cidades da região.

A Igreja São Judas Tadeu é outra marca registrada, diz Edgardo Souza, de 18 anos, coroinha desde o ano passado e devoto por influência dos pais. “Eles me levavam à missa desde criança. Minha mãe já fez um pedido e foi atendida no dia seguinte.”

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