Chorões Santistas está de cara nova no Jabaquara

Arte urbana lembra vocação do espaço, que quer ampliar atuação

Uma casa com a fachada colorida, cheia de referências musicais, no bairro do Jabaquara, em Santos, chama a atenção de quem acessa o Túnel Rubens Ferreira Martins. Estamos falando da sede dos Chorões Santistas, grupo criado como um cordão carnavalesco, no século passado, e que luta para manter a tradição de ser um espaço voltado para a Cultura.

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Quem está à frente do local é a cantora Didi Gomes, filha de um dos fundadores do cordão, o Ayrton do Violão, que nasceu e cresceu em meio à efervescência dos eventos carnavalescos santistas. 

A cara nova externa do espaço foi feita pelo artista urbano Erico Bomfim e, agora, Didi procura parceiros para reestruturar a área interna da sede dos Chorões, para por em prática novos rumos para o lugar. A intenção é que o espaço amplie as atividades depois que a pandemia acabar. 

“Ano que vem vai ter uma vacina e aí queremos ter, além da música, dança, exposição de artes, de fotos, uma feira de artes, aulas, transformar isso aqui num espaço cultural com várias atividades”, adianta a cantora, que lembra que a entidade que nasceu como uma agremiação carnavalesca foi a porta de entrada da música para muitos artistas da região.

No início do ano, Didi já havia retomado a tradição de reunião de músicos aos domingos, mas a atividade teve que ser interrompida devido à pandemia.

Os Chorões 

Fundado em 1962 por Ayrton do Violão, pai de Didi, falecido em 2017, o Chorões nasceu de uma reunião que tinha uma segunda intenção, distante da música. “Minha avó promovia esses encontros, com bolinho, chamando as filhas das amigas, para ver se meu pai casava. Mas ele, com 20 anos, era boêmio”, conta Didi. Se um casamento não saía daquela reunião de talentos musicais, uma outra união foi sacramentada durantes as festas na casa de dona Edith: ali, no dia 20 de dezembro, aniversário de Ayrton, era criado o Grêmio Carnavalesco Cultural e Recreativo Chorões Santistas. 

Didi lembra de ouvir as histórias do pai, que contava que no primeiro Carnaval do grupo, em 1963, os jovens músicos foram banidos do desfile de blocos pela Prefeitura. “Mas, mesmo sem tocar dentro da avenida, foram aplaudidos pelo público”. 

O grupo se consolidou e foi o último cordão que restou, ficando responsável por abrir o Carnaval da Cidade, a partir do final dos anos 1970 até quando os desfiles de blocos foram interrompidos, em 1999. 

O cordão se reuniu em diversos locais, mas, durante a gestão de Osvaldo Justo, que Didi chama carinhosamente de padrinho, foi quando a sede atual foi doada à entidade. “O Chorões é uma marca de minha família, que envolvia meus avós, pais, eu e futuramente, meus filhos. Somos os guardiões desta alma dos cordões e um patrimônio da Cidade e quero continuar levando isso adiante”, espera a cantora.
 


 

 

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