Campo Grande mantém tranquilidade, mas com comércio pulsante

Bairro de antigos casarões mantém clima tranquilo, mas vê crescimento afetar segurança

Os casarões que um dia lotaram o bairro do Campo Grande, em Santos, hoje se tornaram modernas casas ou ficaram somente na memória dos antigos moradores, dando lugar a espaços comerciais ou altos edifícios residenciais, que são realidade há muitos anos. 

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Antes, porém, como diz o ditado popular, “era tudo mato”. É que a região, em meados de 1890, era literalmente um grande campo com matagal, brejo e animais selvagens. 

A história só começou a mudar em 1910, quando os bondes foram implantados, o que fez com que as pessoas fossem construindo chalés de madeira e sobrados. As casas, que eram umas ao lado das outras, existem até hoje, com outros roupantes, mais modernas, mas com o mesmo espírito. 

Ainda assim, quem vive há muito tempo no bairro diz que a calmaria e tranquilidade deram lugar à agitação de um bairro cheio de comércios, principalmente na Rua Carvalho de Mendonça, além de ser caminho tanto de quem sobe os morros quanto de quem vai para bairros mais agitados, como Gonzaga e Boqueirão.

Mas isso não faz do local menos acolhedor. “Era um local muito mais tranquilo, mas não deixa de ser um ótimo bairro. Eu gosto muito de morar aqui”, conta o português radicado em Santos Orbelino Antônio Ramos, de 75 anos. 

O aposentado vive num prédio da Rua Gonçalves Lêdo e, na garagem, as recordações preferidas do Santos. Em quadros e fotografias, ele registrou a paixão pelo time da Cidade que o acolheu aos 7 anos de idade. Há 38 anos, o Campo Grande é o lugar onde escolheu ficar e onde os filhos o visitam. “Meu filho já saiu da maternidade sócio-rei”, brinca.

Na outra quadra, na Carvalho de Mendonça, ainda dá para ver serviços antigos em meio à loucura dos comerciantes, carros e ônibus passando pelo canal 1. 

É ali que está a barraca para amolar alicates do seu Antônio Rodrigues, de 81 anos. O segundo português de nossa Reportagem mora e trabalha no bairro há cerca de 20 anos. 

Veio em 1958 para Santos e hoje se considera mais santista que português. Ele lembra do bonde que atravessava o bairro e diz que hoje há muito mais pessoas morando por lá. “Hoje tem muitos prédios, mais comércios. Mas isso é bom também, principalmente porque encontro mais clientes, além daqueles que já me procuram”, diz.

Proprietária de uma farmácia na esquina do canal 1 com a Carvalho de Mendonça há mais de 20 anos, Irene Rodrigues Soares, de 71 anos, a terceira portuguesa que encontramos no Campo Grande, diz que gosta muito do local, no entanto, já não se sente mais segura à noite, quando encerra o expediente.

“Antes, havia mais viaturas passando. Hoje, não tem mais nada. Infelizmente, eu gosto muito daqui, mas se tornou perigoso para trabalhar”, diz ela, que mora na Pompeia justamente por essa falta de segurança que sente ao trabalhar no Campo Grande.
Ainda assim, acredita que o local é uma opção para se manter a qualidade de vida.

“Acho que é uma zona intermediária, onde as coisas não são caras, como no Gonzaga, Boqueirão e Embaré, nem tão baratas, como no Marapé, José Menino. Então, se torna uma opção para quem quer morar bem e não gastar muito”.

 

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