Boqueirão, em Santos, mostra que também tem vocação para o comércio

Bairro santista viu seus estabelecimentos comerciais crescerem com o tempo

Famoso, o Boqueirão, em Santos, mostra que tem vocação para moradia e também para o comércio. Tanto, que no fim do século 19, quando descobriu-se os prazeres da praia os ricos começaram a se mudar para lá. O local chegou a ter um dos centros mais famosos da América Latina até então: o Recreio do Miramar, chamado Palácio Doutrado, uma espécie de cassino com casa de entretenimento, que ficava no final da Conselheiro Nébias com a praia.

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Quem nasceu, cresceu ou até mesmo quem se mudou recentemente para o bairro entende o que o seu Sérgio Roberto, de 77 anos, quer dizer quando avisa que o bairro em nada perde para outros bem movimentados, como o Gonzaga, e com bom atendimento comercial, como o Centro. Mas, há um “charme” a mais. 

Fato é que ele, que há mais de 50 anos trabalha no mesmo local, na Avenida Epitácio Pessoa, passando a Conselheiro Nébias, não abre mão do local. Em sua visão, tem bom transporte público, ruas arborizadas e tranquilas e comércio farto. “O Boqueirão é uma cidade dentro de Santos. Tem tudo”, decreta o dono da Serginho Calçados, que funciona no mesmo espaço há 38 anos.

Principalmente no quadrilátero entre a Conselheiro, praia, Oswaldo Cruz e Epitácio Pessoa está um ambiente de comércios que ajuda a entender que essa também é a vocação do bairro, que fez 60 anos no mês passado. Se antes, seu nome de batismo surge por conta de uma “boca aberta”, a única, que desembocava no mar, hoje, o Boqueirão abriga tanto os antigos moradores quando os novos, além dos turistas, que não deixam de zanzar pelo local, farto de estabelecimentos do tipo.

Sérgio Roberto vendia seus calçados na esquina da Oswaldo Cruz com a Epitácio Pessoa numa antiga Kombi, antes de ter sua loja. Conta que havia poucos comerciantes no local. 

Com o tempo, foi conquistando espaço e outros foram se criando. Um deles é a Quitanda Boqueirão. 

A loja está sob responsabilidade de Antônio Freitas há 36 anos. Ele considera os outros comerciantes da família. Os clientes, então, conhece pelo nome. “É um bairro muito bom, diversificado. A maioria que vive aqui é idoso, mas eles convivem bem com os turistas, que vem nos meses de verão ou inverno”, conta ele, que administra o espaço na Rua Oswaldo Cruz.

Do outro lado da rua, na esquina, está a padaria que mantém sua história no nome: Clássica. A panificadora foi adquirida em 1983, mas já existia antes. 

Uma das filhas do dono, Vera Lúcia Paulos Pinheiro, de 52 anos, conta que o pai faz questão de, até hoje, tomar café e almoçar no local. Ela e a irmã, Regina Paulos, dividem as responsabilidades burocráticas e ficam ali pelo salão.

“Acho que formamos uma família não só com os clientes, porque a maioria vem todos os dias. As funcionárias já sabem o que eles querem até. Mas entre os comerciantes também há essa cumplicidade”, conta ela.

 

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