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Edinho foi condenado a 33 anos de reclusão

O ex-goleiro Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, filho de Pelé, foi condenado a 33 anos e quatro meses de reclusão pelo crime de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Réus do mesmo processo receberam penas idênticas. São eles: Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho; Clóvis Ribeiro, o Nai; Maurício Louzada Ghelardi, o Soldado, e Nicolau Aun Júnior, o Véio ou Nick.

A decisão é da juíza Suzana Pereira da Silva, auxiliar da 1ª Vara Criminal de Praia Grande, e contra a qual cabe recurso. Além da pena privativa de liberdade, a magistrada decretou a perda, em favor da União, de todos os bens apreendidos e sequestrados, “pois claramente adquiridos com dinheiro proveniente de práticas ilícitas”. Entre os bens, há mais de 100 veículos recolhidos em três lojas de Naldinho.

Em razão de responderem ao processo em liberdade, Edinho, Nick e Soldado poderão apelar soltos ao Tribunal de Justiça de São Paulo. No entanto, sob pena de terem a prisão preventiva decretada, eles deverão entregar seus passaportes no cartório do 1º Ofício Criminal de Praia Grande no prazo máximo de cinco dias, a partir da data em que forem intimados da sentença.

Segundo a juíza, a entrega dos passaportes é medida que se impõe a esses réus, “diante do montante da pena aplicada e do fato de ostentarem grande poder aquisitivo, a fim de eliminar o risco de fuga”. Naldinho e Nai não poderão recorrer em liberdade. O primeiro está sumido há mais de cinco anos e é considerado foragido pela Justiça. O segundo teve a preventiva decretada no curso do processo e já está preso.

A ação penal de lavagem de dinheiro é derivada de outra, relacionada a tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma e munições, ainda em trâmite na 1ª Vara Criminal de Praia Grande. Além dos cinco réus agora condenados, outros fazem parte do processo originário, cuja base foi a Operação Indra, deflagrada em junho de 2005 pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).

As funções

Segundo a promotora de justiça Ana Maria Frigério Molinari, autora das denúncias que deram origem às duas ações, Naldinho era o cabeça de uma organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas. Com base em Santos, a quadrilha tinha ligações com a facção carioca Comando Vermelho e era responsável por abastecer de entorpecentes morros do Rio de Janeiro. Nai, por sua vez, seria o número dois do bando.

Padrinho de um sobrinho de Naldinho e considerado como “tio” pelo chefe da quadrilha, Nick é apontado pela representante do Ministério Público (MP) como “braço financeiro” da organização. Edinho articularia a lavagem de dinheiro, servindo de “liame entre a parte armada e a financeira da quadrilha”, conforme a promotora. Em relação a Soldado, Ana Molinari disse que ele exercia “atividades de ocultação de bens”.

O Denarc interceptou com autorização judicial mais de cem telefones em cerca de oito meses. Desde o início, Naldinho era o alvo principal, mas durante as investigações, a partir dele, surgiram os demais acusados. Em uma das ligações monitoradas, Edinho fala ao chefe da quadrilha para entrar com o dinheiro, que ele entraria com o nome, em suposta alusão a Pelé, seu pai. O diálogo se referia à abertura de uma empresa.

Atualmente treinador de goleiros do Santos, Edinho não estava no clube ontem à tarde. A Tribuna tentou contato com ele por meio da assessoria de imprensa do clube, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.