Incerteza ronda o fim do Inovar-Auto

Programa termina dia 31, sem definição sobre o Rota 2030

28/12/2017 - 11:30 - Atualizado em 28/12/2017 - 14:49

Inovar cria competição no setor
(Fabio Braga/FolhaPress)

Com o fim do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto), em 31 de dezembro, a expectativa cresce em relação aos rumos da indústria automotiva nacional. Pelo menos enquanto dura o impasse com o Rota 2030.

Lançado em setembro de 2012, o Inovar-Auto é o regime automotivo do Governo Brasileiro que tem como objetivo criar condições para o aumento de competitividade no setor, produzir veículos mais econômicos, investir na cadeia de fornecedores, engenharia, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento. Ao ser lançado, o programa tinha data para terminar: 31 de dezembro de 2017.

Esta é a data mais aguardada pelas marcas que têm operações no Brasil, mas não ergueram planta industrial, casos de Volvo, Kia, Lifan e JAC Motors. Tudo porque um dos principais pontos do Inovar-Auto foi o estabelecimento de cotas de importação para as marcas sem fábrica no Brasil. 

Quem ficou somente como importadora tem uma cota anual de 4.800 unidades. Se ultrapassar esse limite, paga uma sobretaxa de 30%. Quem ergueu sua planta importa um número ilimatado de veículos por ano. pagando a alíquota normal de 35%. BMW, Mercedes-Benz, Jaguar Land Rover, Chery e Jeep agradeceram.

“Agora, cada um vende o que tiver competência para vender, não o que o Governo determina”, diz Sérgio Habib, presidente do Grupo SOHC, que engloba a JAC Motors. No Brasil desde 2011, a marca chinesa passou a maior parte do seu período de operações sob a custódia do Inovar-Auto.

Mas, semana passada, a montadora bateu o martelo: em vez da Bahia, a montadora comprou do Grupo Souza Ramos a antiga fábrica da Suzuki, em Itumbiara, Goiás, e vai instalar ali a sua produção nacional. O investimento total é de R$ 200 milhões, gerando 820empregos diretos e indiretos. O início da produção está previsto para acontecer em 24 meses. 

Novidades

Não é segredo que a JAC espera ansiosamente pelo dia 1 de janeiro. Há quatro lançamentos previstos para 2018. Vêm aí o T40 CVT (o manual foi lançado neste ano), T50 (um facelift do T5), T20 (um J2 Cross) e uma picape grande 4x4 diesel, ainda sem nome. No primeiro ano de atividades no Brasil, a JAC vendeu 23 mil unidades.

As marcas premium seguem reclamando que produzir no Brasil é mais caro que na Europa, mas mantêm as atividades por aqui dando um jeito delas serem lucrativas. Uma dessas maneiras é a exportação de produtos para outros países da América Latina. 

Injeção

O que o Inovar-Auto trouxe foi uma injeção de aproximadamente R$ 85 bilhões em investimentos. Como o dólar deu lá suas disparadas, as importações foram reduzidas ao menor volume em uma década em 2016.

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