História automotiva brasileira é contada através de itens de jornais e revistas

Museu da Imprensa Automotiva (Miau) reúne cerca de mil itens que mostram a evolução dos veículos no País

03/01/2018 - 15:50 - Atualizado em 03/01/2018 - 15:51

O acervo é de 10 mil itens, sendo mil sempre expostos. (fotos: Alexsander Ferraz)

Em cerca de 100 metros quadrados, estão guardados mais de 100 anos de história da indústria de veículos brasileira. No Museu da Imprensa Automotiva (Miau), em uma casa na pacata Vila Romana, na Capital, o tempo é medido em quilômetros por hora e o espaço em distância entre-eixos. 

Idealizado pelo jornalista Marcos Rozen, o Miau possui 10 mil itens de tudo o que diz respeito à imprensa que cobre a indústria automotiva brasileira e mundial. Desses, mil itens sempre ficam em exibição: são revistas, muitas raras, livros, canetas, press releases, chaveiros, fotos, kits de imprensa e outros materiais de divulgação das montadoras. Juntos, os artigos formam um mosaico que conta a evolução do mercado de veículos no País. 

“O museu mostra como o Jornalismo descreveu esse produto (o carro) ao longo do tempo, então ele próprio (o Miau) é uma matéria jornalística, que conta uma história. É uma reportagem em 3D”, define Rozen. 

Uma reportagem que começou no distante ano de 1911, com a Revista de Automoveis (assim, sem acento), que se intitulava a “Publicação Brazileira Mensal de Automobilismo”. Editada no Rio de Janeiro, ela é considerada a primeira revista específica sobre carros do Brasil. À frente da publicação estava o eclético Manuel Bastos Tigre, que além de jornalista foi bibliotecário, engenheiro, poeta, humorista e publicitário. Neste campo, por exemplo, coube a ele criar o slogan “se é Bayern, é bom”. 

Visionário, em uma época em que o trânsito era quase inexistente, e para dirigir um carro bastava ter um e saber manipular as intrincadas manoplas e manivelas – não havia CNH –, Bastos Tigre exigia, no primeiro número da revista, a criação de normas e de cursos de direção e segurança nas ruas. 

Correlação editorial

Mas a Revista de Automoveis é apenas o item número 1 da linha do tempo que conta a história automotiva nacional, através da imprensa. Há outras curiosidades e raridades. Como o primeiro número da revista Quatro Rodas, de agosto de 1960. A capa estampava uma modelo e um Karmann Ghia. Dentro da revista, porém, não havia nenhuma citação ao carro. “Não existia essa correlação editorial entre a capa e o conteúdo”, explica Rozen.

Outra atração é a exposição temporária contando a história do Opala. Ícone automotivo, o modelo esteve entre nós entre 1969 e 1992. A cereja do bolo dessa mostra é a presença de um Opala 1988 “em pessoa”: o visitante se acomoda no veículo para assistir a um vídeo de despedida, produzido pela própria GM no adeus ao modelo, em 1992. 

O início

A ideia do Miau surgiu de uma necessidade de trabalho. Jornalista especializado em veículos, certa vez Rozen precisou levantar dados de arquivos do setor para uma reportagem, e se surpreendeu com a dificuldade e falta de preparo. “Você pedia para as montadoras e era sempre muito difícil”. 

No início, ele começou colecionando releases – textos de divulgação de produtos ou ideias. Em 2013, Rozen resolveu colocar esse material no Facebook. E então, a ideia frutificou. “Descobri que mais gente gostava disso”.

Da descoberta às colaborações foi um passo: em pouco tempo, era procurado para doações de todo tipo de itens relativos a carros e à imprensa especializada. Quando o apartamento na Vila Madalena se tornou pequeno – “eram dois quartos para o Miau e um para mim; o museu estava me expulsando”, sorri –, Rozen encontrou a casa atual, em 2016. Autodidata, aprendeu rudimentos de catalogação e Museologia para ordenar as exposições. 

No primeiro andar, ele mantém um café e várias revistas antigas – algumas em coleções completas – para serem manuseadas, algo que Rozen preza bastante. “Essa experiência de pegar a revista antiga nas mãos em época tão digital é impagável”. 

Serviço

O Museu da Imprensa Automotiva (Miau) fica na Rua Marcelina, 108, Vila Romana, em São Paulo. Os dias e horários de funcionamento são de quinta a sábado, das 13 às 19 horas, e aos domingos, das 13 às 17 horas, com entrada em até 1 hora antes do fechamento. Os ingressos custam R$ 15,00. Mais informações, em (11) 98815-7467 ou em www.miaumuseu.com.br.

No primeiro andar, o Miau possui um café com acervos de revistas. (fotos: Alexsander Ferraz)

Marcos Rozen, idealizador do Museu: dificuldade em encontrar materiais foi o mote. (fotos: Alexsander Ferraz)

Veja Mais