Acha que vai driblar o bafômetro? Conheça os maiores 'mitos'

Antisséptico bucal, chocolate ou qualquer outra 'dica' que circula na internet, nada disso adianta

03/03/2017 - 16:06 - Atualizado em 03/03/2017 - 16:15

Você já deve ter ouvido a frase ‘se dirigir, não beba e se beber, não dirija’. Além da combinação álcool + direção não dar certo de jeito nenhum, o menor risco para a vida das pessoas é o maior para a sua: dirigir embriagado dá cadeia para você e apreensão do carro.

E não adianta tentar driblar o bafômetro com vinagre, antisséptico bucal, refrigerante, chocolate e outras dicas furadas que rolam na internet. O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) esclarece que todas essas receitas não passam de mitos.

Nenhum destes produtos interfere no resultado do bafômetro, como é popularmente conhecido o teste do etilômetro. O aparelho é capaz de detectar a presença de álcool no organismo, mesmo se a medição for realizada imediatamente após o motorista ter consumido alimentos como bombom com licor ou usado antisséptico bucal com álcool.

 

Nesses casos, se a pessoa não tiver ingerido bebida alcoólica e estiver com receio, a orientação é que o cidadão informe o fato à autoridade de trânsito no momento da abordagem. Dessa forma, o condutor pode pedir um novo exame, caso o primeiro dê positivo.

Um dos boatos que circulam nas redes sociais é que tomar vinagre depois de ingerir bebida alcoólica livra a pessoa de um possível resultado positivo. “O bafômetro mede o álcool ingerido que passou para a circulação sanguínea e é exalado dos pulmões para o ar. O vinagre não consegue interferir no etanol exalado para o ar”, explica a hepatologista Marta Deguti, do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho. 

Outro truque é o Metadoxil (piridoxina ou vitamina B6), um medicamento que acelera a metabolização do álcool do fígado e é utilizado no tratamento de alcoolismo e alterações hepáticas. “Mas ele não interfere na concentração do álcool que está no sangue ou que é exalado e medido no bafômetro”, rebate a médica.

O álcool é metabolizado em um ritmo lento, de 0,016% por hora, e isso pode variar muito. “Depende da quantidade ingerida, do tipo de enzima que o fígado do indivíduo possui”. Ainda segundo a hepatologista, pode levar até dez horas para que o álcool não seja mais detectado no sangue. 

Nas operações do Programa Direção Segura (blitze coordenadas pelo Detran.SP), é comum os motoristas se negarem a fazer o teste na tentativa de escapar de possíveis sanções. Porém, isso também é uma infração.

Quem se recusa a soprar o aparelho é multado em R$ 2.934,70 e notificado a responder processo de suspensão do direito de dirigir pelo período de um ano. Além disso, caso o perito da Polícia Técnico-Científica identifique que a pessoa não está apta a dirigir, ao ter atitudes como cambalear e falar coisas sem sentido, o cidadão pode responder também por crime de trânsito. A pena é de seis meses a três anos de prisão.

Para quem se submete ao teste do bafômetro, o índice que corresponde a crime é superior a 0,33 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

Em todos os casos,  os condutores autuados pela Lei Seca e podem ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa. Quem for reincidente nesse tipo de infração em um período de 12 meses é multado em R$ 5.869,40 e responde a processo de cassação do direito de dirigir por dois anos.

Veja Mais