Uma viagem no tempo entre Curitiba e Morretes

Passeio pela estrada de ferro é o segundo roteiro visitado no Paraná, atrás apenas de Foz do Iguaçu

19/05/2017 - 15:31 - Atualizado em 22/05/2017 - 14:39

Viagem de trem garante fotos lindas do trajeto entre Curitiba e Morretes (Foto: Divulgação)


Na estação rodoferroviária de Curitiba, o relógio marca 8 horas quando o som de centenas de vozes é superado pelo apito de aviso: chegou a hora do embarque no trem. E até mesmo o tradicional e delicioso friozinho das manhãs da capital paranaense é deixado de lado. Afinal, a aventura está prestes a começar.

Aos poucos, os passageiros vão tomando seus assentos. Todos bem orientados para que os prazeres da viagem que virá em seguida sejam garantidos do início ao fim da jornada. A partir daí, é impossível ficar inerte e o melhor ângulo e a imagem perfeita começam a ser registrados em máquinas fotográficas e filmadoras.

Então, com todos a bordo, o apito da locomotiva anuncia o início do movimentar dos vagões que levam, diariamente, turistas brasileiros e estrangeiros para uma charmosa aventura pela Serra do Mar, em meio à exuberante vegetação da Mata Atlântica, com destino a Morretes, no litoral do Paraná.

E com a paisagem que começa a passar pela janela é impossível – para quem viveu a época dos trens no Brasil – não sentir o tempo voltar à memória. Para quem nasceu depois do fim das locomotivas em grande parte do País, a sensação é inusitada. Prazer indescritível que tem sido proporcionado desde 1997 pela Serra Verde Express, empresa da holding paranaense Higi Serv, que mantém, ainda, a BWT Operadora.

E se no início das atividades a ideia era administrar o transporte de passageiros neste trecho da centenária ferrovia paranaense, que teve sua pedra fundamental lançada em 5 de julho de 1880 (foi inaugurada em 1890), em Paranaguá, também no litoral paranaense, pelo imperador Dom Pedro II, a Serra Verde Express foi além, criando momentos inesquecíveis ao longo dos 110 quilômetros de trilhos que cortam a mata e vão contando partes importantes da história brasileira.

Um passeio que dura cerca de três horas e meia e faz com que os visitantes tenham, em alguns trechos do caminho, a sensação de estarem flutuando. Afinal, apesar dos seus 127 anos, a linha férrea mostra o poderio da engenharia da época imperial, que desbravou a serra e deixou um legado de belezas e emoções para a atual e as futuras gerações.

Aliás, no caminho, são 13 túneis que interligam os trechos da estrada de ferro, uma das mais antigas em funcionamento no País. Túneis que foram escavados na rocha maciça das montanhas da Serra do Mar, por muitos dos cerca de 9 mil homens que trabalharam na construção da ferrovia. Um legado que, hoje, faz do famoso Trem da Serra do Mar Paranaense o segundo roteiro turístico mais visitado no Paraná, ficando atrás apenas de Foz do Iguaçu. Em média, a Serra Verde Express transporta de Curitiba para Morretes mais de 200 mil pessoas no ano.

Passeio dura cerca de 3h30 e percorre 13 túneis que interligam os trechos da estrada de ferro (Foto: Divulgação)


Belezas
Ao longo do caminho são inúmeras as belezas a serem fotografadas ou filmadas. Uma delas é o Túnel do Viaduto do Carvalho. Mas há, ainda, a Ponte São João, suspensa entre vasta vegetação; a Barragem do Reservatório Marumbi; a chaminé da antiga Casa de Bombas, na Barragem do Reservatório; a bela formação rochosa do Pico do Marumbi; o Santuário do Cadeado; o Canyon do Rio Ipiranga; e, é claro, a rica e diversificada flora serrana.

O passeio, que começa em Curitiba e passa pelas cidades de Pinhais, Piraquara e Quatro Barras (estas três na região Metropolitana de Curitiba) e termina em Morretes, foi considerado um dos dez mais belos do mundo, pelo jornal britânico The Guardian.

Na chegada a Morretes, uma gostosa viagem ao século 18
Após a viagem de trem, o turista chega a Morretes, uma pacata e encantadora cidade do litoral paranaense, fundada por jesuítas, em 1733, às margens da Baía de Paranaguá. O local, que mantém preservada sua arquitetura, oferece uma volta ao passado, com museus e vários espaços culturais.

A religião também está presente em forma de antigas igrejas. Entre elas está a de Nossa Senhora do Porto e Menino Deus dos Três Morretes. Este, aliás, o primeiro nome dado a Morretes.

Mas não é apenas isso. Os visitantes têm várias opções de turismo de aventura. Neste caso, as dicas são as caminhadas por trilhas e os passeios de bicicleta ou por meio do Jeep Tour Rural, com 32 quilômetros de muita emoção, passando por vilarejos, rios, paisagens montanhosas, lagos e bosques.

Outras opções são a prática da canoagem pelo Rio Nhundiaquara, com suas corredeiras e piscinas naturais, e da famosa boia-cross. Quem optar pela prática desta modalidade descobrirá que a diversão é garantida, mesmo que seja na gelada água do Nhundiaquara.

Para os românticos, a dica é apreciar o rio no trecho central da cidade. Um belo cartão postal e digno de muitas fotos.

Barreado
E quando a fome bater, vale a pena escolher um dos restaurantes locais e apreciar o Barreado. Uma delícia da culinária do litoral paranaense preparada em panela de barro. A iguaria é feita com carne, que é cozida por até 12 horas. Esta delícia é acompanhada por outros quitutes locais, sem esquecer, é claro, da banana da terra.

Aliás, em se tratando de banana, Morretes é famosa pela Banana Chips (doce ou salgada) e produzida artesanalmente, pela cachaça de banana, pelos doces de banana e muitas outras delícias morretenses.

Os turistas interessados em fazer o passeio de trem entre Curitiba e Morretes têm seis opções de viagem, com ida e volta: Classe Econômica, Classe Turística, Classe Executiva, Camarote, Litorina Curitiba e Litorina de Luxo. Estes dois últimos operam nos finais de semana e feriados e contam com decorações temáticas, glamour e muito luxo. Informações sobre os passeios podem ser obtidas por meio dos telefones (41) 3888-3488 e 0800-8801315. Mais informações no site da BWT Operadora.

O jornalista Rogério Stonoga viajou a convite da BWT Operadora.

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