Você torce o nariz para algum alimento? Saiba que muitos fazem bem à saúde

Jiló, jaca e bife de fígado são alguns exemplos que não são unanimidade no paladar, mas ricos em nutrientes

12/08/2017 - 15:19 - Atualizado em 12/08/2017 - 16:44
As crianças devem ser acostumadas desde pequenas a consumir alimentos diferentes (Foto: Shutterstock)

Jiló, jaca, bife de fígado, mocotó, miúdos, sardinha. É bem provável que você faça cara feia só de ouvir falar nestes alimentos. São comuns em vários cantos do País e podem ser preparados de várias formas, mas, como esses itens não são unanimidade entre os apaixonados por uma boa comida, algumas dicas podem incentivar até mesmo quem nunca os experimentou, por pura rejeição.

Para a especialista em nutrição clínica Roberta Soriano, tudo é questão do modo de preparar os alimentos. ''Nós vamos moldando nosso paladar desde que nascemos, começando no leite materno, que é baseado na alimentação da mãe", esclarece.

Ela ressalta que muitos dos alimentos que podem ser pouco convencionais em São Paulo, por exemplo, são bastante comuns nas regiões Nordeste ou Centro-Oeste do País, como miúdos bovinos e suínos, já que o gosto pela comida está relacionado a questões culturais.

A nutricionista explica que o aleitamento materno nutritivo leva para a criança a memória nutricional da mãe, fazendo com que ela tenha maior aceitação a certos alimentos. "Se começar com alimentos saudáveis e acostumar o paladar à diversidade, é difícil que quando adulto a pessoa se negue a experimentar pratos novos".

Nutricionista indica o preparo de bife de fígado com legumes (Foto: Shuttersotck)

Propriedades nutricionais

Apesar de não parecerem tão apetitosos, pratos a base de fígado, jaca, mocotó e sardinha podem fazer bem à saúde. Por isso, procuramos informações sobre a importância nutricional desses alimentos.

O fígado bovino, por exemplo, é importante para quem necessita de ferro e vitamina B12, como os anêmicos. Bom também para crianças que estão em fase de crescimento e precisam de proteína. A sugestão de Roberta é cortá-lo em iscas para um melhor cozimento e prepará-lo acebolado ou cozido com legumes.

Já o jiló é aliado daqueles que buscam o emagrecimento. A nutricionista explica que 90% de sua composição é água e suas calorias são extremamente baixas. O fruto contém vitamina A, B, C, potássio, fósforo e cálcio. Para mascarar seu gosto amargo, é possível cozinhá-lo com molho de tomate ou cortar em fatias finas e grelhar na frigideira.

A jaca é outra fruta rica em água, responsável por cerca de 80% de sua composição, e contém diversas vitaminas, como a A, B, C, E. Dá para consumi-la in natura, em sucos ou até em doces.

Roberta dá destaque à sardinha. "É uma opção barata e ótima fonte de proteína e Ômega 3. Uma gordura animal insaturada, que faz bem à saúde. Importante para a prevenção de doenças cardiovasculares e fortalece o sistema neurológico", ensina.

Há quem faça o peixe frito, mas ela ressalta que assado no forno ou à escabeche são maneiras mais saudáveis. 

Sardinha à escabeche é uma das opções de preparo do peixe rico em Ômega 3 (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

O mocotó bovino é benéfico para os idosos. O alimento tem grande quantidade de colágeno, é pouco calórico e tem várias receitas interessantes. Dá para cozinhar com feijão branco, linguiça calabresa e ovo picado. 

Quanto aos miúdos, em geral, são todos ricos em proteína e ferro. De acordo com a nutricionista, o consumo desses ingredientes deveria ser maior, mas é importante observar a procedência desses alimentos. ''O consumidor precisa comprar de um local confiável, armazenar e cozer bem, talvez até ferver", indica.

Há também língua, rabo, rim, coração do boi ou do frango: todas essas partes não convencionais podem ser consumidas, mas demandam maior higiene na manipulação e cocção.

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