Você sente dor nas costas? Veja dicas para reduzir o sofrimento

Depois da dor de cabeça, é a maior causa de consultas médicas

31/12/2017 - 11:36 - Atualizado em 31/12/2017 - 11:36

Prática de Pilates ajuda a fortalecer os músculos
(Foto: Divulgação)

A contadora Mirtes Helena Scherer sentia dores frequentes nas costas. Descobriu que uma hérnia de disco lhe tirava a qualidade de vida no dia a dia. Quase sempre precisava se afastar do trabalho e ficar praticamente reclusa.

“Tudo era difícil. Sentia muita dor. Naquele momento, estava totalmente debilitada. Não conseguia praticar esporte, vivia apenas fazendo repouso. O máximo que conseguia era ir para o trabalho, quando dava”, lembra a contadora.

Histórias como a de Mirtes são mais comuns do que se imagina: a segunda maior causa de visita de pacientes aos médicos é a dor lombar, que fica atrás apenas da dor de cabeça. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o problema afeta 80% da população mundial.

No Brasil, é uma das causas mais comuns de afastamento do trabalho, de acordo com estatísticas sobre causas do pagamento de auxílio-doença pela Previdência. Dos 1.941.162 benefícios desta categoria pagos em 2016, 182.685 foram ligados exclusivamente à dor nas costas — o que corresponde a 9,4% do total.

O que é

Segundo o especialista em fisioterapia ortopédica e quiropráxica Silvandro dos Santos Gil, a dor nas costas ou lombalgia aguda (de curta duração) ou crônica (longa) é considerada uma dor na região da última costela até os músculos posteriores da coxa. 

O especialista, que é ligado ao Grupo de Estudos da Obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no campus Baixada Santista, cita que as causas mais comuns das dores são uma junção de várias práticas, como tabagismo, ansiedade, depressão, obesidade, sedentarismo, má postura e prática de exercício sem orientação profissional.

Segundo a Sociedade Brasileira de Estudos para Dor (SBED), o tipo mais comum de dor nas costas é de origem mecânica. Pessoas com este tipo de dor frequentemente a descrevem como latejante. Quase sempre acham que sua dor piora com movimento e melhora com repouso. Esse tipo de dor é frequentemente causada por distensão ou lesão.

Neste caso, ela é decorrente de lesões musculares, que podem ser o resultado de levantar um objeto pesado de mau jeito ou de prática esportiva.

Além dessa, há as dores provocadas pela hérnia de disco. Isso acontece quando há um dano nos discos da coluna. Às vezes, o disco se moveu de sua posição usual (disco herniado) e, como resultado, causa dor porque irrita os nervos próximos. Essa situação é chamada de dor neurogênica. 

O sofrimento pode ser causada também por ossos fraturados na coluna após impactos físicos severos, como lesões esportivas ou acidentes automobilísticos. Além disso, os pacientes podem sofrer fraturas por estresse, que são pequenas fissuras visíveis em raios X e podem ser dolorosas. 

A oesteoporose é um fator a ser considerado quando há fraturas de vértebras, uma condição comum nos pacientes mais idosos. Nela, os ossos do indivíduo enfraquecem, resultando em uma probabilidade maior de fraturas.

Há casos mais severos, causados por doença degenerativa, quando um ou mais discos da coluna começam a se deteriorar. Estes discos agem como acolchoamento quando a coluna se move ou carrega peso. Outro distúrbio degenerativo é a osteoartrite da coluna vertebral, comum com a idade avançada e que pode causar dor e rigidez na coluna vertebral e na coluna lombar.

Menos remédios, mais exercício

Pesquisas indicam cada vez menos o uso de remédios e de procedimentos invasivos quando o assunto é dor nas costas. 

Segundo o fisioterapeuta Silvandro dos Santos Gil, manter-se ativo é a principal receita para evitar o incômodo. “É preciso realizar alguma forma de exercícios físicos sistemáticos, como a musculação, manter alimentação saudável e peso corporal adequado e tomar alguns cuidados nas atividades diárias”, diz. 

Tarefas como agachar para pegar objetos exigem estratégias em que o indivíduo use o quadril e os joelhos para se abaixar e se levantar com o objeto próximo do corpo. Outro exemplo citado pelo especialista é que a pessoa, ao para sair da cama, vire de lado, sente-se e, aí sim, levante-se e fique em pé.

Estilo de vida

Em alguns casos pode-se adotar práticas simultâneas de fortalecimento da musculatura. Uma delas pode ser o pilates. Foi apenas após começar a praticar a modalidade que a contadora Mirtes Scherer conseguiu controlar as fortes dores.

“Não tenho mais crise como tinha anteriormente. Passei a ouvir melhor o meu corpo, a ter consciência corporal. Pilates não é parado, é dinâmico. Toda aula é um desafio”, diz a contadora, que há dois anos não tem mais crises causadas por uma hérnia de disco

Segundo Elizabeth Victorazzi, professora do Estúdio EV Pilates, a modalidade trabalha os músculos internos da coxa, glúteos, abdômen e a lombar. “Quando você fortalecendo esses grupos musculares, essa dor não se repete”, argumenta.Faz parte das aulas ensinar o aluno a usar esses músculos e entender seu funcionamento. “Começa da base, sobre como acionar corretamente o abdômen e contrair os glúteos”.

Estudo clínico

O Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desenvolveu um programa em que reavaliou indicações de cirurgias da coluna. Em dois anos, dos 1.679 pacientes com pedido médico para operação, só 41% foram confirmados como necessários de fato. 

Segundo o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito), a grande questão relativa à indicação de cirurgias de coluna é que, além de ser altamente onerosas – os procedimentos chegam a custar até R$ 200 mil –, elas podem ocasionar perda de mobilidade e outras sequelas quando recomendadas indevidamente.

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