Hidratação na terceira idade ajuda a evitar doenças; veja dicas

A falta de líquido no organismo compromete as funções cerebrais

05/02/2017 - 16:30 - Atualizado em 05/02/2017 - 20:58
Idosos não possuem reserva de líquidos no corpo, como 
crianças, adolescentes e adultos (Reprodução)

Já se hidratou hoje? Quantas vezes? Foi o suficiente?… Você agora talvez deva estar se perguntando: Por que a insistência em saber se já tomei água ou qualquer outro líquido que não seja café, álcool ou refrigerante? Pois bem, a resposta é fácil: esse simples hábito diário pode evitar grandes problemas à saúde, principalmente na velhice.

E não se trata somente de desidratação. A falta de líquido no organismo compromete as funções cerebrais e causa danos.

Segundo o clínico-geral do Hospital das Clínicas, Arnaldo Lichtenstein, o problema costuma ser mais comum nos idosos, devido à falta de reserva de água no organismo dessas pessoas.

Entre os problemas que podem surgir estão: confusão mental, desorientação, dificuldade em reconhecer pessoas, falar bobagens e até a morte. Estes e outros sintomas podem ser confundidos com os de doenças como a diabetes e até mesmo infecções.

Ele explica que ao nascer, um bebê tem 90% de água no corpo, na adolescência o volume cai para 70%. Na fase adulta, o índice é de 60% e na terceira idade fica em torno de 50%.

Além da falta da reserva de líquido, existem outros agravantes. “O idoso tem limitações. Pode ser uma artrite, artrose ou demais problemas de locomoção, que contribuem para que a hidratação seja prejudicada. Por isso é tão importante que os cuidadores estejam atentos a essa situação”.

Lichtenstein informa, também, que a falta de água no corpo reduz a oxigenação no sangue e consequentemente no cérebro, que é o responsável pela sensação da sede.

Orientação

Para evitar que os idosos apresentem esses sintomas, decorrentes da falta de hidratação, o médico orienta aos familiares e cuidadores a sempre oferecerem água durante o período da manhã e à tarde. Antes de dormir, porém, não é muito aconselhado, pois pode dar vontade da pessoa ir ao banheiro e se machucar no caminho.

O clínico-geral explica que exceto café, refrigerante e álcool, todos os líquidos são benéficos. Questionado se os sucos de caixinha e demais bebidas industrializadas seriam prejudiciais, devido à quantidade de sal, ele faz uma ressalva.

“Se o idoso não tiver problema de pressão alta, o sódio pode ser até benéfico, pois ajuda a reter o líquido”, afirma Lichtenstein, que não determina tempo para que seja feita a ingestão de água. “O importante é oferecer e tornar isso em um hábito”.

Mudanças

Desde que escreveu pela primeira vez sobre o assunto, há nove anos, o médico diz ter notado diferença na idade das pessoas que começam a apresentar problemas com a hidratação.

De acordo com ele, a orientação permanece válida para os idosos – acima dos 60 anos –, que têm apenas 50% do organismo composto por água. Entretanto, os sintomas ocasionados pela falta de líquido aparecem cada vez mais em pessoas mais velhas, com 80 ou 90 anos.

“A expectativa de vida aumentou. Hoje, quem tem 60 anos costuma praticar atividades e ter uma vida mais saudável. Eu faço até uma comparação com a Dona Benta, personagem dos livros de Monteiro Lobato. Ela tinha 60 anos e nas descrições (do autor) era uma senhora bem velhinha, de coque no cabelo e que só ficava em casa”.

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