Febre amarela causa corrida por vacina e movimento aumenta 3.150% em Santos

Apenas na rede pública, procura média diária explodiu de 22 pessoas para 715

12/01/2018 - 10:47 - Atualizado em 12/01/2018 - 10:48

Policlínica da Aparecida tinha fila até do lado
de fora nesta quinta-feira (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Contrariando a orientação de especialistas, o medo da febre amarela fez o movimento aumentar 3.150% nos postos de saúde de Santos. Estado e municípios se reuniram nesta quinta-feira (11) para acertar detalhes da campanha de vacinação, que será entre 3 e 24 de fevereiro. Nesses dois dias – 3 e 24 –, haverá ação emergencial. Toda a população da Baixada Santista será imunizada.

Em apenas um dia, a rede pública de saúde de Santos vacinou 715 pessoas contra a febre amarela. Em todo o ano passado, foram aplicadas 5.691 doses da vacina, o que dá 22 imunizações por dia, em média.

No começo da tarde de quinta-feira (11), a Policlínica da Aparecida estava lotada. A fila chegava até a rua. “Apesar de eu morar em Santos, meus filhos e meus pais moram próximo ao Horto Florestal (em São Paulo). E eu, praticamente toda semana, vou até lá. E tem esse risco. A gente sabe dos problemas que vêm acontecendo”, justificou o aposentado José Fernandes de Araújo.

“Eu vou para Mairiporã (SP) no Carnaval e é um lugar que tem foco (da doença). Então, achei melhor prevenir”, disse a administradora Priscila Branquinho, que levou o filho de 2 anos para vacinar.

“Nós não temos a doença. A campanha de vacinação será feita porque estamos nos precavendo. Estamos à frente do problema”, afirma Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde santista.

Falta de informação

Para o chefe de departamento da Atenção Básica de Saúde de Santos, Haroldo Souza Filho, a maioria das pessoas alega que vai viajar para áreas endêmicas, o que obriga os postos a fornecerem a dose.

“Está havendo um pouco de desinformação, porque até quem já tomou a vacina está vindo procurar”. Santos mantém quatro unidades permanentes para vacinar quem vai viajar para áreas de risco: Centro de Saúde Martins Fontes (Rua Luiza Macuco, 40) e as policlínicas Ponta da Praia (Praça 1º de Maio, s/nº); Vila Mathias (Rua Xavier Pinheiro, 284); e Aparecida (Avenida Pedro Lessa, 1.728).

A corrida pela vacina também ocorre nas clínicas particulares. Em duas que foram procuradas pela Reportagem – a Previnna, na Vila Belmiro, e a Mar Saúde, na Aparecida –, o estoque terminou. “Está uma loucura. Foi só começar a darem notícias sobre a febre amarela, e as pessoas ficam desesperadas”, relata a médica pediatra Carolina Brites, da Previnna. “A gente tinha algumas (vacinas) paradas no estoque, mas acabou tudo”.

As doses fornecidas nas redes privada e pública, por enquanto, são as padrão (0,5 ml), que previnem para a vida toda. Durante a campanha de vacinação, entretanto, elas serão fracionadas (0,1 ml). Essa decisão foi tomada para que toda a população seja imunizada. Com isso, a vacina protegerá contra a doença por oito anos.

A imunização só não é indicada para gestantes, mulheres amamentando crianças com até seis meses e imunodeprimidos, como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas, como pacientes com lúpus.

Estratégias de vacinação

Toda a população da Baixada (1,8 milhão de habitantes) deverá ser protegida da febre amarela. Os dias 3 e 24 de fevereiro foram escolhidos como datas para a campanha emergencial. Uma reunião ontem, em Santos, definiu estratégias.

Serão enviadas 1,7 milhão de doses para as nove cidades da região. A quantidade é suficiente para toda a população. “A gente conta que tem gente que já é vacinada. Quem já tomou alguma vez na vida não precisa tomar de novo”, diz Iraty Nunes Lima, chefe do Grupo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde.

Os postos de saúde dos nove municípios ficarão abertos nesses dias apenas para vacinação. As prefeituras devem definir, nos próximos dias, se outros lugares, como escolas, também serão usados como postos de imunização.

Além de 53 municípios paulistas, Bahia e Rio de Janeiro também serão alvo da campanha emergencial. A meta é que, ao todo, 19,7 milhões de pessoas recebam a dose fracionada da vacina.

Um encontro realizado ontem no prédio do Ambulatório Médico de Especialidades, na Aparecida em Santos, reuniu representantes do Estado e das nove cidades locais.

“Foi importante porque mostrou as datas e o cronograma dessa campanha, como também a parte da estratégia e de como serão feitas as dosagens. Tanto que, aqui, tinha desde gestores até o pessoal que vai pôr a mão na massa”, avaliou Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de vigilância em Saúde de Santos.

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