Cirurgia plástica após os 50 anos vira tendência

Mulheres desta faixa etária não querem mais apenas corrigir rugas, mas esculpir o corpo

08/03/2018 - 09:34 - Atualizado em 08/03/2018 - 09:35

Henriqueta aderiu às cirurgias aos 60 anos: "Nunca me deram mais de 70" (Foto: Alberto Marques/AT)

As mulheres estão chegando cada vez mais tarde nos consultórios de cirurgia plástica. Apesar de a maioria das brasileiras que buscam um corpo perfeito ser jovem, cresce a demanda de pacientes acima dos 50 anos que, em vez de querer tirar rugas, procura por procedimentos para esculpir o corpo.

Ainda não há números que comprovem a tendência, mas ela é apontada por Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, cirurgião plástico em Santos, fundador e coordenador do 19º Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, que será realizado entre os dias 16 e 18, em São Paulo.

De acordo com o especialista, basta olhar nas ruas para comprovar a tese. A aparência da brasileira está mais jovem e bonita. Hoje, dificilmente se vê uma mulher de 50 anos de idade parecida com o biotipo feminino da mesma faixa etária em décadas atrás.

Segundo Bolivar, o motivo é a informação. Antes, as mulheres chegavam nos consultórios perto dos 40 anos, para corrigir rugas. Agora, costumam vir por volta dos 50, para outros procedimentos que também aumentam a autoestima. “Porque hoje em dia com botox, preenchimento (facial), cremes de tratamento, informações sobre como ter uma dieta balanceada e praticar exercícios, a mulher se cuida. Anos atrás, protetor solar para não envelhecer a pele era frescura”.

A forte presença do público maior de 50 nos consultórios também se explica com o aumento da expectativa de vida no Brasil. Hoje, um brasileiro vive em média 78 anos – cinco a mais que na última década. Eram 58,4 milhões de pessoas com mais de 65 anos no País em 2016, segundo o IBGE.

Elaine Calvieri, de 56 anos, funcionária pública da área de Educação, é um exemplo que mostra que a tese de Bolivar está certa. Ela fez alguns procedimentos estéticos após os 50 anos de idade. “Coloquei a prótese de silicone (nas mamas) por volta dos 48. Depois dos 50, fiz uma mini abdominoplastia, uma lipoaspiração e uma cirurgia no nariz”, conta ela, destacando que sempre se cuidou. “Porque prefiro pequenas intervenções que vão mantendo a minha atual aparência do que olharem e perguntarem se fiz plástica”, explica.

Elaine fica feliz quando alguém fica em dúvida sobre a sua idade. “Prefiro investir em mim do que trocar de carro todo ano.Me sinto orgulhosa da minha aparência e da minha saúde”.

Não é só estética

Henriqueta Martinez de Carvalho tem 85 anos, é pensionista e moradora de São Vicente. A primeira cirurgia plástica foi aos 60, quando remodelou as mamas. Depois, aos 80, levantou as pálpebras dos olhos. Ela conta que não pensava em fazer nenhum procedimento na juventude. Se encaixa no rol de pacientes que também só foram procurar intervenções após os 50 anos de idade.

Conta que antes nunca precisou, porque sempre usou cremes de beleza. Por isso, sempre se sentiu muito bonita. “Eu engano porque tenho a pele boa e uso creme desde que eu era solteira. Além disso, faço esteira todo dia e outras coisas também”, conta, mantendo seu segredo de beleza. Dona Henriqueta diz que não tem sensação melhor do que se ver no espelho e se sentir bem.

Mas isso passa não só pela autoestima, mas também pela postura que adota no dia a dia, literalmente. “Eu não fico curvada. Desfilei, fui manequim e me cuido. Não sou magrinha nem gorda. Até me perguntaram outro dia o que eu faço para perder a barriga”, diz sorrindo a pensionista, que prefere mesmo é se divertir.

Sua diversão, que queima calorias e mantém sempre uma boa expressão, é a prática da dança em clubes de Santos. “Sempre vou com meu parceiro de sempre, para me exercitar e me divertir”.

Não só mulheres

Os procedimentos cirúrgicos estéticos mais realizados no Brasil são a lipoaspiração e aumento da mama com silicone – 426.250 cirurgias, só em 2017. Já entre os não cirúrgicos estão a aplicação de toxina botulínica e preenchimento com ácido hialurônico – 752.400 no ano passado.

Os números apontam uma tendência de alta nos procedimentos minimamente invasivos. Estes últimos, não cirúrgicos, tiveram aumento de demanda de 390% em dois anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“Como hoje em dia não tem mais aquele negócio de beleza ser ligada a homossexualismo, os homens estão querendo mudar também”, conta Bolivar, destacando que a principal procura masculina nos consultórios é pela correção do nariz, seguida pela lipoaspiração para contorno do abdômen e a ginecomastia (retirada das mamas quando há um aumento).

Outra novidade é o implante de barba. A técnica será apresentada no 19º Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, que deve reunir cerca de mil pessoas estudantes e profissionais da área. Entre os palestrantes haverá 15 médicos estrangeiros e mais de 60 convidados do País. Mais informações sobre o evento no site www.simposiointernacional.com.br.

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