Check-up anual é fundamental para prevenir doenças

Homens, mulheres e crianças possuem necessidades específicas no cuidado com a saúde

02/09/2018 - 17:05 - Atualizado em 02/09/2018 - 17:07

Uma avaliação médica de rotina pode ser determinante para evitar o desenvolvimento de algumas doenças. Embora exista uma bateria de exames que deva ser feita anualmente, homens, mulheres e crianças têm necessidades diferentes. Principalmente, dependendo do histórico familiar.

Todo ano, João Carlos Martins, de 55 anos, faz um check-up completo. "Não sei se é uma neura, mas eu sou muito prudente. Gosto de estar no controle da situação tanto na minha profissão, quanto na saúde. Para você ter uma ideia, minha sala tem dois ar-condicionados", afirma o dentista.

Foi graças a todo esse cuidado que, há três anos, ele descobriu que estava prestes a ter um infarto. "O que me salvou foi um exame chamado angiotomografia de coronária, que fiz a pedido de um médico que estava preocupado", relembra.

Embora seja magro, ele admite que, durante muito tempo, fumou e se alimentou mal. Esses maus hábitos, associados a uma carga excessiva de trabalho, produziram um efeito devastador. "Uma das minhas artérias estava com 95% de entupimento. Eu ia dormir e não ia acordar", completa.

Dentista João Carlos Martins se diz preocupado com a saúde e mantém rotina de exames (Foto: Nirley Sena/AT)

Check-up masculino

Depois de completar 18 anos de idade, mesmo que aparente boa saúde, todo homem deve, anualmente, fazer exames de glicemia, colesterol, função dos rins e do fígado, hemograma, radiografia dos pulmões, ultrassonografia do abdômen, teste da esteira e um ecocardiograma, sugere o médico cardiologista Philipe Saccab.

A partir dos 40 anos, é recomendado que eles deem atenção, também, às vias urinárias e à próstata, por meio de exames de sangue e de toque.

Embora exista um protocolo básico oferecido por grandes hospitais, o médico faz questão de destacar que cada paciente deve ser analisado individualmente, e com cuidado.

"O check-up é como um tênis, cada um calça o seu. O que é bom para a dona Maria, pode não ser para o seu José. Por exemplo, uma pessoa que trabalha perto de um forno precisa de uma atenção especial aos pulmões. Já um maratonista requer atenção ao coração", explica o cardiologista.

Mulheres

Assim que menstruam pela primeira vez, as mulheres devem passar a frequentar o ginecologista, uma vez por ano. A partir da primeira relação sexual, o médico passará a pedir, anualmente, exames para prevenir o câncer de colo de útero.

"Porém, mulheres com alterações cervicais ou infecções causadas pelo papiloma vírus (HPV), podem ser orientaras a fazer exames com intervalos menores", alerta o ginecologista Rogério Felizi. "Nos dias atuais, todos os rastreamentos são baseados em protocolos", completa o especialista.

A mamografia para prevenir o câncer de mama deve passar a ser feita a partir dos 40 anos, mas essa idade também pode variar. Se a mãe ou a irmã da paciente já tiverem desenvolvido a doença, a precaução deve começar aos 30 anos de idade.

O doutor Felizi garante que, seguindo essas recomendações, é possível detectar diversos problemas. "Por conta da realização de exames de rotina, milhares de mulheres. em todo o mundo, são diagnosticadas precocemente, aumentando a possibilidade de cura das doenças. Principalmente nos casos de câncer de mama, o diagnóstico precoce possibilita tratamentos conservadores e altos índices de cura", alerta.

Foco em crianças é a vacinação

Crianças são diferentes dos adultos e não precisam de uma rotina de testes laboratoriais a cada ano. A não ser que o pediatra descubra uma doença crônica durante as consultas anuais, ou que elas tenham histórico familiar preocupante, o recomendado é que sejam feitos exames mais detalhados por volta de 1 ano e, depois, apenas na pré-adolescência.

Crianças que não tiveram nenhuma doença crônica detectada após o nascimento ou desenvolvimento alterado não precisam realizar nenhum tipo de exame laboratorial.

"Por volta dos 12 meses, é comum a gente fazer uma rotina simples. Você colhe um hemograma (exame de sangue), verifica a concentração de açúcar, de ferro e pode colher amostras de fezes e urina, porque elas estão começando a engatinhar e põem tudo na boca", explica a médica pediatra Carolina Brites Masutti.

A partir daí, novos exames são feitos apenas se houver uma necessidade identificada pelo pediatra durante as consultas, que devem ser anuais. Obesidade infantil é uma das preocupações dos pediatras.

A especialista faz questão de frisar que cada idade e cada fase do crescimento tem as suas peculiaridades. "Não é engessado como no caso das mulheres irem ao ginecologista todo ano. A criança é diferente", observa Carolina.

"O check-up infantil é a carteira vacinal. Ela precisa estar imunizada, por exemplo, contra a hepatite", cita o cardiologista Philipe Saccab.

Crianças não precisam de exames laboratoriais todo o ano. Foco é a vacinação (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Histórico familiar

Caso a família da criança apresente um histórico preocupante, como doenças cardiovasculares, má alimentação ou hipotiroidismo, "não tem como não investigar". "Nesses casos, não tem como determinar uma idade ou dizer de quanto em quanto tempo eu preciso pedir exames. Depende de cada paciente", pondera Carolina.

O também médico cardiologista Fabio Lario, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, afirma que, em casos mais sérios, pais e pediatras precisam ficar atentos a partir dos 2 anos. "O grau de alteração no colesterol é importante. Com base em algumas informações, o médico pode saber se essa pessoa pode vir a desenvolver uma doença cardiovascular ao longo da vida", diz ele.

Caso contrário, Fabio Lario orienta que apenas entre 9 e 11 anos elas façam os primeiros exames específicos.

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