Brasil deve ter 61 milhões de casos de câncer de próstata este ano, diz Inca

Estimativa serve de alerta neste início do Novembro Azul, mês dedicado à prevenção da doença

01/11/2017 - 12:58 - Atualizado em 01/11/2017 - 13:15

Campanha visa incentivar o diagnóstico
precoce da doença (Foto: Divulgação)

Chegou o mês que relembra o segundo tipo de câncer que mais mata os homens no mundo. Estamos no Novembro Azul, tempo de conscientizar sobre a detecção precoce do câncer de próstata. 

 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que em 2017 o Brasil totalize 61,2 milhões de casos diagnosticados. Só no Estado de São Paulo serão mais de 291 mil registros da doença que, quando se fala em câncer, só não mata mais homens em todo o mundo que o de pulmão. Segundo o American Cancer Society, é como se um em cada sete homens sejam diagnosticados com a doença ao longo da vida, no planeta.

Apesar dos números, o tabu de o homem ir ao médico ainda continua. A notícia boa é que, ao menos, isso tem diminuído, conta o Flavio Trigo, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo e professor livre-docente de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

“Por isso, na verdade, o que procuramos fazer nessas campanhas do Novembro Azul é estimular o diagnóstico precoce não só do câncer de próstata, mas estimular o homem a ir ao médico”, explica ele, brincando que é preciso aprender com as mulheres. 

“Elas fazem exames preventivos todo ano. Os homens às vezes são criados na crendice de que nunca vão ficar doentes, que não precisam ir no médico e isso realmente é uma das coisas que precisam mudar. E está mudando”, diz.

Segundo Trigo, quando se diagnostica um câncer de próstata precocemente, em 80% dos casos há cura. Isso considerando só os tipos mais agressivos da doença, pois há tumores que mesmo se não tratados, têm evolução tão lenta que não exigem muitos cuidados.

Os mitos

É esse tipo de informação que reforça, no entanto, alguns mitos. Espalhou-se a notícia de que, para um homem ter câncer de próstata, é questão de tempo, algo natural – quando não é. 

''Há um levantamento que diz que, se todos os homens vivessem 120 anos, provavelmente todos acabariam tendo câncer de próstata, porque é uma doença cuja probabilidade de ocorrer cresce com a idade. Mas há diversos espectros da doença. Vários não precisam ser tratados, só acompanhados. Para saber, é preciso diagnosticar”, diz o médico.

Acompanhamento

Quando a doença está localizada, o tratamento normalmente é a cirurgia de remoção da próstata. De acordo com Trigo, cerca de 20% dos homens que precisam passar pela cirurgia podem ter disfunção erétil e, de 5% a 10% podem ficar com incontinência urinária. 

“Mas isso não pode inpedir o diagnóstico. A doença, se não tratada, pode se espalhar. O câncer pode ir até para os ossos”, conta Trigo, lembrando que estudos na Europa mostraram que a população masculina que passou por acompanhamento anual a partir dos 50 anos aumentou a expectativa de vida em 35%.

Por isso a indicação é para todo homem a partir dos 50 anos visitar seu urologista. A exceção é de homens com histórico familiar da doença, ou de raça negra. Esses precisam começar os exames a partir dos 40 anos. 

José Luiz Óca: ''No início não foi fácil acreditar''
(Foto: Fernanda Luz/AT)

Vida que segue

Quem vê hoje José Luiz Óca, de 55 anos, atuando como professor e coordenador de Educação Física do Colégio Santa Cecília e Assistente de Coordenação Geral do Esporte da Unisanta, não imagina que ele já venceu um câncer de próstata. “Tive em 2009, operei e estou aqui. E foi uma surpresa. Eu tinha 44 anos, fui fazer um exame de rotina no cardiologista para as atividades físicas e o médico falou, já que vai tirar sangue, vou pedir também o PSA. Aí, descobriu”, lembra.

No início não foi fácil acreditar. Apesar de o resultado do exame já mostrar alteração, Óca não sentia absolutamente nenhum sintoma. Os números do PSA que eram de inicialmente 4,75 chegaram a 11 e, com isso, ele foi para a operação, que retira a próstata para o câncer não se espalhar pelo corpo. 

“Entrei na sala de operação como se nada estivesse acontecendo, sem nenhum sintoma. Passei por 35 sessões de radioterapia em São Paulo e já se passaram mais de nove anos. Conheci gente que precisava de intervenção cirúrgica e não quis, porque disse que iria broxar. Existe riscos. No meu caso, a ereção continua normal, só a ejaculação, por conta da retirada da próstata, que é a seco. Mas graças a Deus nunca tive nenhum outro problema”, diz o paciente, que recomenda a outros homens sempre fazerem exames, pelo menos, anualmente. “Faça o que tem que ser feito. com fé. Quanto mais você vira as costas e empurra os problemas com a barriga, pior”.

Fique atento aos sintomas

> Urinar menos que o normal

> Urinar com maior frequência, especialmente à noite, pouco de cada vez

> Dificuldade para urinar

> Dor ou sensação de ardor

> Presença de sangue ou sêmen na urina 

> Ejaculação dolorosa

Encontro 

Duas cirurgias serão feitas com transmissão ao vivo, do hospital para o consistório da Santa Casa de Santos. O intuito é apresentar tecnologias de robótica e métodos eficazes para inscritos no congresso Uro-Onco Litoral. O evento médico reunirá autoridades brasileiras e estrangeiras para tratar da saúde do homem, de amanhã até sábado.

Como o tema central do mês da campanha Novembro Azul é o câncer de próstata, ambas as cirurgias são relacionadas. Uma será o implante de um esfíncter urinário artificial e o outro procedimento médico será a colocação de uma prótese peniana inflável nos pacientes com incontinência urinária e disfunção erétil, respectivamente.

Os métodos não são novos, mas por terem custo aproximado de R$ 75 mil, ainda são pouco utilizados.

Segundo o médico André Luiz Tome, urologista, membro da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP) e do Hospital Ana Costa, organizador do Uro-Onco Litoral, a ação visa debater novidades e técnicas, para atualizar profissionais que lidam com o tema. 

Também será discutida a reposição hormonal masculina em pacientes com câncer, métodos para a preservação da fertilidade, diagnóstico do câncer de bexiga, rim, testículo, pênis, renal e de próstata. 

“A expectativa é termos sempre 500 lugares e, caso haja interesse regional o evento deverá se repetir todo ano”, explica Tomé, lembrando que Santos foi escolhida por ser uma cidade que abriga mais pessoas idosas, além de ter infraestrutura para o evento, que depois segue com palestras, debates e encontros no Parque Balneário Hotel. 

Podem participar médicos urologistas, oncologistas clínicos, radioterapeutas, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos que atuam na saúde do homem. Interessados devem se inscrever pelo www.urolitoral.com.br .

Internacional

Estarão presentes professores do americanos, um argentino e outro italiano, além de o encontro contar com a presença de autoridades como David Ui, secretário de Estado da Saúde de São Paulo e representantes da saúde do município.

O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP), em parceria com a Associação Paulista de Medicina Santos. 

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